Final de 1993

Enquanto a poeira baixava, show em Londrina no Gran Mausoleo, dia 06 de novembro. A escalação de uma banda de rap com duas de hardcore dava a pista de que o público era meio skate. Tocaram ao lado dos rappers do Projeto Niggaz e levaram a tira colo os amigos do Slack Nipples. A nova banda do Renato, do Jack, do Tibério e do Gaudêncio tocava muito bem. Tinha uma boa aparelhagem, um belo repertório de músicas próprias e aquela velocidade e melodia a la NOFX e Dickies soava perfeita! Foi o primeiro show do Slack Nipples.

Pinheads em Londrina

João Gordo pediu para os produtores incluírem PINHEADS num show que aconteceria no Coliseu, em Curitiba, dia 12 de novembro. Iriam abrir o show dos Ratos de Porão, antes do black metal do grupo Infernal (curiosamente, que ensaiava na mesma Rua Vital Brasil, no bairro Vila Izabel, onde ficava a casa do Dudu, local de ensaios do PINHEADS).

O show no Coliseu acabou não acontecendo, pois o local não tinha alvará. Metaleiros revoltados apedrejaram o local após a notícia de cancelamento. Como o nome PINHEADS não estava no cartaz (pois tinham sido incluídos na última hora) o cancelamento não teve nenhuma conseqüência maior.

Recorte do jornal Folha de Londrina

Recorte do jornal Folha de Londrina

Promovido pela Cruel Maniac, o primeiro A Chacina (14/11/93) foi realizado em Pontal do Sul, ao lado da mini-ramp da avenida principal. Gratuito, sucesso de público, com as bandas Intruders, Paincult e Resist Control. Foi a única vez no litoral paranaense. Paulo gostou de tocar para os seus amigos nativos de Shangri-La. Dudu gostou de ver Maguila, Franco e outros skatistas da Maha no meio do público. Mas os PINHEADS não se sentiam muito confortáveis naquele tipo de evento, no qual o deslumbrado DJ deixava tocando o cd do Pennywise Unknown Road no repeat ad infinitum.

O brilhante ano de 1993 encerrou com a segunda edição do festival BIG. Desta vez, os PINHEADS tocaram ao lado dos amigos do Beach Lizards, no mesmo dia em que foi ao ar o primeiro Hardcore: programa semanal na rádio Estação Primeira, apresentado e produzido pelo grande amigo Mauricião (e co-produzido pelos PINHEADS, principalmente Paulo).

O show deveria ocorrer no Coliseu, mas acabou se realizando no 92 mesmo. A escalação da noite de sábado, 11 de dezembro era: C.M.U. Down, Pinheads, Motorcycle Mamma, Beach Lizards e Garage Fuzz. Este último acabou não vindo, assim como os Raimundos não vieram uma semana depois, quando estavam escalados para o show de encerramento do BIG.

92 lotado, final de 93

92 lotado, final de 93

Na eleição Melhores de 93 da seção Acordes, do caderno de cultura da Gazeta do Povo, Abonico Rycardo Smith, escreveu:

“Quem viu apenas um dos muitos shows deles no ano passado não tem dúvida: deu Pinheads na cabeça. Júlio, Paulo e Duda levam o público ao limite da animalidade seguindo a velha (mas completamente funcional) fórmula do punk angeleno: músicas curtas, rapidez, três ou quatro acordes, excelentes melodias e letras curtas e grossas. O hipnotismo é tanto que já virou comum haver gente mergulhando na platéia de quase cinco metros de altura (uns, inclusive, chegaram a usar muletas dias depois). Não bastasse arrebentar ao vivo, os caras ainda são os responsáveis pela maior vendagem do ano entre os discos produzidos por aqui. Por isso, com toda razão, os cabeças de alfinete paparam fácil as categorias banda, disco, música e show, além de…”.

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Arquivado em 1993

Onde está o silver tape?

Os PINHEADS não se iludiam com elogios da imprensa. Os jornalistas – em sua maioria – eram leigos no assunto punk/hardcore, noticiavam o óbvio ou apenas modificavam e reciclavam releases. Mais valia um comentário sincero de um amigo roqueiro ou uma crítica construtiva de um membro de alguma banda que eles gostavam.

Por outro lado, sabiam que os poucos e bons elogios, traziam novos ouvidos atentos para incrementar seu crescente público. Entendiam que se comparassem a música que estavam fazendo com bandas pioneiras do gênero (Circle Jerks, Adolescents, Dag Nasty) ficariam anos-luz atrás na produção, qualidade de gravação, técnica, maturidade, etc. Porém, também sabiam que estavam fazendo o possível com os parcos recursos que tinham e, principalmente, amavam o estilo musical que tocavam.

Mas para alguns moleques curitibanos, aquele tipo de punk/hardcore era uma novidade e tanto! Muitos moleques foram a um show pela primeira vez num show dos PINHEADS. Muitos moleques ouviram o compacto For Fun antes de ouvir Suffer, do Bad Religion, ou My Brain Hurts, do Screeching Weasel. A garotada só tinha visto stage dives e rodas de pogo em fitas VHS mal gravadas. Foi em algum show dos PINHEADS, no 92 Graus, que eles interagiram com banda e público de forma tão intensa pela primeira vez.

92 Graus: o C.B.G.B. curitibano

92 Graus: o C.B.G.B. curitibano

O norte do Paraná foi mais uma vez visitado, desta vez, Maringá. Tocaram na Universidade Estadual em um evento anarco-punk idealizado pelo gente boa Mamá. Pouco divulgado, o show valeu apenas para que não esquecessem de que antes de mais nada eram punk rock. Em nenhum show fora de Curitiba a banda dormiu em um hotel. Sempre em casa de amigos, rodoviárias ou no próprio local do evento.

Punks na U.E.M.

Punks na U.E.M.

O ano de 1994 começou para valer. O trio tinha mais de dez músicas novas e pintou uma oferta de gravação de uma fita demo. JR. Ferreira conseguiu, gratuitamente, várias horas no estúdio Solid Sound. As instalações eram extremamente simples, uma mesa de som Tascam de 8 canais estava à disposição da banda. O problema é que ninguém sabia pilotar o novo equipamento com propriedade.

Nem mesmo o dono do local, o simpático Roni. Foi nesse espírito urgente que iniciaram a gravação de 16 músicas (13 novas e três “velhas”). As novas seguiam a mesma fórmula anterior: punk rock básico + hardcore melódico. Mas os PINHEADS estavam numa fase extremamente rápida. O galopante Dude usava pedal duplo, Paulo atropelava palavras e mesmo assim se fazia entender, Júlio estava com uma mão direita precisa e veloz.

Where´s The Silver Tape? foi gravada entre janeiro e fevereiro de 1994. O título foi uma idéia de Dudu, pois o trio usava silver tape para quase tudo: segurar microfones, pedal de bateria, emendar pele do bumbo, segurar alça do contra-baixo, fixar set list no amplificador, imobilizar pedestal no chão etc. Sem silver tape era bem possível que todos os equipamentos fossem para o chão. Por dois motivos: precariedade e, principalmente, pela agitação do público.

Uma música de Júlio era a primeira da nova demo: Oh! Ja!. Essa canção de boas vindas seria a primeria de (quase) todos os shows da banda dali pra frente. Os Ramones abriam seus shows com a instrumental Durango 95 e agora os PINHEADS também tinham a sua canção abre-alas. Uma música com apenas Oh! Ja! (em alemão se pronuncia: ou iá!) como vocal. Bom para os técnicos irem ajustando o som antes de começar a porradaria. As próximas três músicas da segunda demo curiosamente começavam com Hey Hey You ou Hey Hey Dude.

Eram três letras do Paulo: Mixture Of Ideas, Skate Session e I´m Not a Nerd. A primeira falava sobre um tipo bem estranho que freqüentava o bar favorito do trio na época, o bar do Joe. O figura usava um cavanhaque enorme, se vestia de forma estilosa, porém bizarra. O rapaz parecia estar sempre alterado e rolava a lenda urbana que ele mantinha relações sexuais com sua própria irmã, uma outra doida famosa por conversar com anjos, abelhas e arco-íris nos intervalos da PUC. Era uma letra anti-drogas:

“Hey, hey you, I´ve seen observing you from ages/ The way that you behave simply called my attention/ The way you dress, there´s no reason why/ It seems you´re confused and nothing makes you happy – Tell me: Are you feeling something strange? Or maybe you´re planning a revenge/ It seems you´re affected by a mixture of ideas. I can help you with that – You´re always alone, Don´t you have some friends?/ There will always be someone who understands your way of thinking/ Stop the madness, never more use drugs/ You don´t need this stuff to be a happy person”.

Skate Session narrava mais uma daquelas noites na qual é bem melhor andar de skate na pista do Gaúcho (ao lado do Cemitério Municipal) do que ir pros bares da cidade:

“Hey hey Dude, call the guys, let´s go out tonight, get your skateboards put them in the car (ok!)/ The night of this city is getting worse and worse, let´s get drunk, forget about this bars/ Skate is a wonderful way-out, when there is nothing to do in this city, look at the bowl, there´s nobody there, prepare your adrenalin – Skate session tonight, I wanna a skate session tonight – Most of us are surfing, just going up and down, sliding on the walls/ This session is walking up the dead people in the huge sematary…”.

Letra de Skate Session escrita por Paulo

Letra de Skate Session escrita por Paulo

I’m Not a Nerd era uma das músicas prediletas do público. Pena que nesta versão, Dude errou feio no tempo. A letra era um desabafo do baixista/vocalista Paulo:

“Hey hey you, I´m not a nerd, I get drunk and go to shows/ I´m afraid of moron bros, C.J. fingers, tatooed toes/ I play bass for fun, but I don´t think that I´m the one/ I only say to you, I´m not a nerd…”.

Stupid Brains, The Basic Rock e Many-Side-Lad foram regravadas, desta vez, mais aceleradas e com vários backing vocals. Paulo era o principal letrista da banda e ainda escreveu Do It Yourself , No Public! No Show! e Luxury Bitches. Essa última, uma porrada de menos de um minuto, que começava com vocal e pregava o extermínio das putinhas de luxo da sociedade curitibana:

“The one you can´t imagine is the worst you can deal with/ Little darling in her house, rotten bitch in the night/ High hells and expensive clothes, the luxury bitches are here to look you. Ignore, my friend, they´re here to fuck with your brain/ But now dirty girl, I´ve got something for you, open your mouth and close your blue eyes/ No, bitch, no, it´s not my dick/ It´s the pipe of my huge 38, what great!/ The body´s on the floor, get her money, it´s her payment! – Exterminate, the luxury bitches!!! Society doesn´t need their entertainment!”.

A banda toda escreveu My Brother Is My Friend e Dude rabiscou Forget The Problems e Utopy. Paulo e Dude escreveram mais uma letra anti-drogas, Get Out Nasty!, e fizeram letras de amor, cada um à sua maneira.

Paulo dizia que “o inferno são os outros” em It´s Not My Fault:

“It´s not my fault if I have a mountain bike…, … if I hate birthday parties… …if I watch the Simpsons… …If I love to skate… …If your father doesn´t like me, it´s not my fault I can´t live without you… …why don´t you admit that you love this way, stop with this freshness and simply stay/ Explode this barrier, the system had put between us/ But when we´re alone in my house at the stones, I just can´t believe it´s the same girl I see. You´re turned into what I always wanted you to be”.

Já Dude, lamentava em I Don´t Know Why: “

You leave alone, there´s no reason why, you don´t look like a sanity person, I don´t know why I´m with you, maybe it´s the love blindness… …You leave ´cause I don´t know the coke´s formula. You leave ´cause I said hello to the Thursday Night Bikers, You leave ´cause I don´t believe in gnomos, You leave ´cause my favorite songs… Please tell me why!”.

Pinheads silver tape

A composição gráfica ficou a cargo de um inspirado Júlio. Todas as letras na íntegra, créditos e agradecimentos (thanks: all the Pinheads friends, all nice girls, all zines, Beach Lizards, Resist Control, João Gordo + RDP, Tube Screamers, I.M.L., Safari Hamburguers, Gangrena Gasosa, Slack Nipples, Boi Mamão, Paincult, Motorcycle Mamma, Missionários, C.M.U. Down, Os K´Bides, Alê and Pin Ups, Anões de Jardim, Magog, Cervejas e a galera do pogo. Special thanks: JR, Grilo, Maurício Gaudêncio, Armando, Fabiano, Nilo, Estúdio Solid Sound e Família Munhoz).

A demo trazia duas capas: um desenho tosco que Dude fez com um Pinhead dentro de um círculo e outra (idéia de Júlio, que mais tarde apareceu em capas de álbuns da banda ALL) com uma nota musical personalizada. Amigos de outras bandas deram uma passada no estúdio e, assim, Piupa, Roni e os Anões de Jardim, Alexandre e Frederico, fizeram guest vocals.

Uma quantidade considerável de gemas valiosas estava presente em Where´s The Silver Tape?, mas a gravação ficou ultra tosca. Paulo nunca tinha pilotado uma mesa de som e acabou ficando sob sua responsabilidade toda produção. Ele tirou leite de pedra, mas não adiantou muito. Na época, era raro uma banda independente lançar um material de excelente qualidade de som, mas esta segunda demo dos PINHEADS estava muito mal gravada. O excesso de graves, o vocal muito alto, o excesso de backing vocals mais o som sujo e embolado prejudicavam e muito o registro. Mesmo assim, resolveram lançar a demo.

PINHEADS começava o ano de 1994 com muita vontade e energia. No entanto, seus registros eram duas demo-tapes mal gravadas e um compacto 7 polegadas. Esse último, era o seu melhor cartão de visitas, porém ninguém mais escutava discos em vinil. Todo mundo só comprava e ouvia CD.

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Arquivado em 1994

Curitiba – São Paulo – Rio de Janeiro

Dois shows iniciaram a temporada dos PINHEADS nos palcos curitibanos. Um deles, totalmente lotado, no pequeno Mary Jane (18/03/1994). Abertura dos amigos Slack Nipples. Os covers da noite foram Gonna Find You, do Operation Ivy e We´re Only Gonna Die, do Bad Religion. Fizeram uma boa negociação com o dono do bar e até receberam porcentagem da bilheteria que resultou em um modesto, porém honesto cachê.

Set List do show no Mary Jane

Set List do show no Mary Jane

A agitação e lotação eram tão grandes que gotas de suor despencavam do teto. O amigo Alexandre Magrão (baterista dos Sarnentos e Sick Sick Sinners) recebeu uma cotovelada no pogo, e sua camiseta branca dos Sex Pistols ficou toda vermelha, manchada de sangue. Magrão não deu muita bola e continuou na roda. No final do show, a camiseta estava branquinha novamente! Neste dia, a galera do pogo tomou, literalmente, um banho de suor e energia.

Pinheads Hardcore_session

Palavras do Magrão: Cara, rolou um pogo nervoso daqueles de exorcisar a semana toda. Teve Slack Nipples antes. Aquele porão escorregadio pra caramba com as paredes suando e a gente se quebrando. Eu usava uma camiseta branca dos Sex Pistols, Never mind the Bollocks, quando tomei uma porrada no nariz e nem senti que estava sangrando. Quando percebi a camiseta estava vermelha de sangue, inteira de sangue na parte da frente.

Vi que havia parado de sangrar e continuei no pogo… e não é que o suor limpou a camiseta, cara!? Fiquei encharcado de suor, inteiro molhado. Saiu tudo, depois ficou meio amarelada.
Lembro que o show foi do caralho, muita energia, melhor show dos Pinheads pra mim.”

Pinheads Flyer_Aeroanta_Magog

O outro show foi o debut dos PINHEADS no Aeroanta de Curitiba, dia 30 de março. Tocaram com Magog, Falsa Doutrina e Resist Control. Foi uma boa estréia, local abarrotado, som bom. E perceberam que precisavam melhorar a performance em palcos maiores e mais audíveis. Nesse dia, um carro entrou no corredor de entrada do Aeroanta!! Um rapaz tinha sido expulso do local por truculentos seguranças e sua “irada” forma de protestar foi colidir violentamente seu Kadett prata na porta do estabelecimento.

Recorte do jornal Gazeta do Povo

Recorte do jornal Gazeta do Povo

Dalí poucas semanas, o punk rock estaria nas MTV’s de todo mundo, com o estouro de Offspring e Green Day. No Brasil, uma banda parecia que ia estourar e, antes que isso acontecesse, JR. promoveu um show grande no Palácio de Cristal, no Círculo Militar. Na noite de 30 de abril de 1994, cinco bandas tocaram num palco de dois metros de altura: Intruders, Cervejas, Pinheads, Pin Ups e Raimundos.

Primeiro show dos Raimundos em Curitiba, um pouco antes de estourar

Primeiro show dos Raimundos em Curitiba, um pouco antes de estourar

Poucos meses depois, o rock pauleira dos Raimundos e do Planet Hemp estaria no mainstream. A maioria da molecada que iniciasse uma banda passaria a cantar em português. Depois da overdose de bandas nacionais nos anos 80, todas cantando na língua pátria, era perfeitamente natural para a geração do início dos anos 90 cantar em inglês. Sepultura cantava em inglês, Ratos de Porão acabava de lançar um disco em inglês e quase todas as bandas de punk/hardcore que apareciam seguiam pelo mesmo caminho.

Porém, a dificuldade para lançar um disco era enorme. Cantar em português era muito mais viável caso a sua idéia fosse “viver-de-roque”. Os PINHEADS não tinham nenhuma pretensão comercial, cantar em inglês foi uma escolha natural e essa estética não seria mudada.

Ensaios aos sábados na churrasqueira do Tio Zéca e da Tia Sula

Ensaios aos sábados na churrasqueira do Tio Zéca e da Tia Sula

A banda seguia a rotina de ensaios aos sábados e um show por mês. Os ensaios eram freqüentados por qualquer um que quisesse. Inclusive por bandas de outras cidades que vinham tocar em Curitiba, especialmente no 92. Uma das visitas mais toscas foi do insano grupo joinvilense The Power Of The Bira. Dizem que foram eles que disseminaram a expressão “Toca Raul!”.

Para não virar “arroz de festa”, os PINHEADS tentaram ficar um bom tempo sem tocar em “casa”. Resolveram também dar mais atenção à qualidade do som. Dudu comprou uma bateria Mapex, Júlio uma guitarra Ibanez clássica e um amplificador Marshall, e Paulo uns microfones bem bons. No meio do ano, foram ao estúdio Clean Sound e gravaram ao vivo cinco músicas novas, apenas para ver como iam ficar. Ficou melhor que a demo Where´s The Silver Tape?.

A Cruel Maniac estava lançando uma nova coleção de roupas e escalou PINHEADS (e Resist Control) para dar uma canja ao lado do estreante No Milk Today. Silly Bones (banda do estudante de publicidade Juliano Ribas) e OZ (de Brasília) também estavam agendadas para essa festa de lançamento no 92 Graus, dia 17 de junho. A canja era pra ser uma surpresa, mas os produtores fizeram até camiseta e cartaz do evento com o nome dos PINHEADS. Mesmo a contra gosto, o trio tocou. No meio do set, problemas elétricos acabaram com o show e com a paciência de todos.

Surpresa ao ver o nome da banda no cartaz!

Surpresa ao ver o nome da banda no cartaz!

Uma semana depois, na megalópole paulistana, tocaram no Urbania ao lado de White Frogs e I.M.L.. Local pequeno e interessante, principalmente por ter uma mini rampa de skate. Termômetro perto de zero grau (25/06/1994), público mediano e vários contatos. Um desses contatos foi com o grupo Cold Beans do skatista (e editor do fanzine Clean Sheets) Cesinha Lost.

Com um ano de atraso, finalmente tiveram o prazer de conhecer César Lost, responsável por colocar músicas dos PINHEADS nas primeiras edições em VHS dos vídeos de skate Silly Society. Lost ajudava Cristiano Mateus e Alê Vianna na produção dos Silly Society, e recheava a trilha sonora com muito punk/hardcore. Outro encontro se deu com Júnior, baixista do White Frogs. Ele tinha escrito uma Scene Report para a MAXIMUMROCKNROLL. O texto de meia página reportava a cena punk/hardcore brasileira do ano de 1993 e os PINHEADS tiveram uma foto publicada no fanzine mais  influente do punk americano.

Show com Pinheads, I.M.L. e White Frogs em S.P.

Show com Pinheads, I.M.L. e White Frogs em S.P.

No Rio de Janeiro, tocaram em um campeonato de skate (organizado pela marca HOMEY) dentro do Scala, tradicional casa de bailes de carnaval no Leblon. Camarim com cachorros quentes e muita água. Na frente do palco, na pista de dança, foi montada um espaço para street. Após o término do evento, imediatamente, se iniciou outro, com o funkeiro Latino. A má divulgação do campeonato não trouxe muitos frutos ao trio. Mas a já consolidada amizade com os Beach Lizards valia a viagem.

Laércio, Dudu, Cláudio, Paulo e Júlio

Laércio, Dudu, Cláudio, Paulo e Júlio

Não restritos ao lema “sexo, drogas e rock and roll” essas viagens eram, antes de tudo, uma celebração entre amigos. Um chopp no Baixo Gávea, vídeo do Damned na casa do Nervoso, surf em Grumari, almoço na casa do baixista Laércio e aquela frenética troca de informações roqueiras. Um Cock Sparrer e um The Boys pra lá. E Stiff Little Fingers e 999 pra cá. Paulo fala um pouco sobre isso:

Chegamos de manhã na rodoviária e fomos recepcionados pelo Danúbio Aguiar, zineiro e amigo. Dentro de um ônibus numerado em direção da zona sul, saindo da rodoviária, o Danúbio avista o Leonardo Panço, da banda Soutien Xiita e grita: “Panço, filho da mãe!” O motorista pára e entra o Panço no busão para nos acompanhar em direção ao show. Local? Boite Scala, de Chiquinho Recarey, atual símbolo da putaria gay carnavalesca da cidade maravilhosa.

Panço, Paulo, Danúbio, Júlio e Dudu. Água mineral no camarim do Scala

Panço, Paulo, Danúbio, Júlio e Dudu. Água mineral no camarim do Scala

Dude ficou feliz com a presença de um skatista das antigas chamado Cesinha Chaves, que filmava o campeonato para o programa Vibração. No final, chegaram nossos amigos do Beach Lizards e ficamos tomando conhaque e cerveja à tarde.

Turismo, amizade e punk rock no R.J.

Turismo, amizade e punk rock no RJ

À noite, numa tosqueira danada, fomos ao Canil Pub em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde todas as 10 pessoas presentes esperavam uma canja do Pinheads. A qual não aconteceu. Decepcionamos um alcoolizado Danúbio e fomos em direção a uma boite de Copacabana chamada Basement, ciceroneados por Nervoso e sua irriquieta namorada Bia. Muita sonzeira de qualidade num porão altamente promíscuo e tosco. A travesti Rogéria marcava presença nos arredores. Nem me lembro da volta, pois a amizade com os cariocas era tudo o que me interessava naquele momento. São amigos meus de sangue até hoje. Apesar de pouco nos falarmos. Pinheads era isso aí…”.

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Arquivado em 1994

Independência ou morte!

Por ser o compacto mais bem sucedido da Bloody, era natural que JR. Ferreira quisesse lançar um álbum dos PINHEADS. Mas produzir um compact disc independente no meio dos anos 90 era quase impossível.

O dono do Syndicate também comandava a rádio Estação Primeira (Mauricião e Paulo ainda faziam o programa Hardcore) e ofereceu o lançamento de um álbum inteiro dos PINHEADS. Um ano antes, o tal figura idealizou uma coletânea (Curitiba In Concert) com Slack Nipples, Paincult, Primal e Abaixo de Deus. As bandas Slack Nipples e Paincult desembolsaram uma grana suada para gravar no Estúdio Solo com a promessa de ser lançada a tal compilação. Fato que nunca ocorreu.

Os PINHEADS compraram a briga e rudemente questionaram o figura de como lançaria um álbum novo se não conseguia lançar o velho prometido. O figurão se enrolou, embolou o pé no ridículo e começou um monólogo cheio de gírias medonhas do mundo do róque. Percebendo a vergonha alheia no rosto dos PINHEADS, o “dono-da-gravadora-que-nunca-existiu” parou com a lenga-lenga e (ainda) achando que o jogo estava ganho, perguntou para a banda se aceitariam ou não a “genial” empreitada.

Com risco de riso nos lábios, o sempre direto e, às vezes, cínico Júlio, respondeu com um singelo: NÃO! A banda se retirou da reunião com frouxos de riso e com a certeza de que não seriam enganados pelo fanfarrão! Ledo engano.

Com um bom público nas costas era hora de ganhar uns trocados daqui pra frente. Afinal, queriam gravar, viajar e tocar em outras cidades do Brasil. Assim, negociaram mais um show no Syndicate (05/08/1994). Estranhamente, os donos do local aceitaram toda proposta da banda; que depois entendeu o porquê. A entrada seria de apenas dois reais, o grande espaço ficaria com lotação máxima, o dinheiro do bar era do local e um real da entrada era da banda. Júlio colocou seu tio na bilheteria e ninguém entrava sem deixar dois reais na porta de entrada.

Os PINHEADS pagaram passagens de ônibus para os amigos paulistanos dos Tube Screamers abrirem o show. Tinha tudo para dar certo. O local estava lotado. As bandas afiadas. Os seguranças avisados. O público animado. Mas os donos do local resolveram brincar com a paciência de todos. Estava armada a revanche do fanfarrão…  não iria deixar barato o abuso dos três moleques de semanas antes.

Num clima de “vamos queimar a cara desses abusadinhos”, só permitiram que os PINHEADS tocassem depois das duas horas da manhã (de uma sexta-feira) e a qualidade sonora era simplesmente ridícula. O pior equipamento de som que já tinham oferecido para o trio! Por mais que se esforçassem, era difícil agradar aos ouvidos da cansada platéia. Tube Screamers tocou Suffer, do Bad Religion, e Welcome to Paradise, do Green Day.

O cover da vez dos Pinheads era Basket Case, também do Green Day. Paulo, mais uma vez, resolveu abrir a boca, desta vez, com serenidade. Reclamou com razão de toda palhaçada promovida pelos donos do Syndicate:

“Vocês são uns idiotas. Semana passada veio tocar aqui uma banda de São Paulo chamada OKOTÔ e vocês ofereceram um som impecável para meia dúzia de pessoas na platéia. Agora vem uma banda local, trás um público legal, enche a casa e vocês retribuem a gentileza com um som e horário de merda! Muito obrigado! Mesmo“.

Paulo Kotze, baixista e vocalista dos Pinheads

Paulo Kotze, baixista e vocalista dos Pinheads

Certamente, os PINHEADS perderam uma pequena, porém consistente platéia após aquele show. Prometeram a si mesmos que nunca mais tocariam naquele local, que nunca mais negociariam com aqueles fanfarrões. O único saldo positivo foi que botaram mil pessoas para dentro, assim, mil reais entraram na caixinha da banda!

Flyer legal, equipamento lazarento

Flyer legal, equipamento lazarento

Em setembro de 1994, veio a segunda edição do famoso festival Juntatribo, em Campinas. A primeira edição revelou os Raimundos. Já a segunda não revelou ninguém! Tá certo que o Planet Hemp tocou lá e depois fez sucesso, mas o intento não foi devido àquele show. Como a maioria dos festivais “alternativos” da época, o Juntatribo errou ao escalar muitas bandas (29) e muitas tendências (tinha de tudo: rap, noise, metal, tecno, hardcore, industrial, pop, experimentalismo etc).

Em uma tenda de circo, um micropalco capenga foi montado no observatório a olho nu, o lugar mais alto da Unicamp. Muita terra, muito vento, muita fumaça e uma ducha de água fria. O Juntatribo serviu para aterrar qualquer sonho de vida fácil no underground tupiniquim. Mesmo com a presença da imprensa escrita e da MTV, o saldo do festival não foi tão positivo quanto se imagina.

Dava pra perceber que se as bandas não se valorizassem, seria difícil vislumbrar um futuro animador. Depender de produtores com um pé no chão e o outro na lua não era o objetivo de ninguém. No hardcore do festival destaque para o Garage Fuzz que mostrava um advanced do seu primeiro álbum.

Algumas bandas solidificaram laços de amizade no meio do perrengue (PINHEADS, Anarchy Solid Sound, Safari Hamburguers, Beach Lizards, I.M.L., No Class). Foi na segunda e última edição do Juntatribo que Dudu entregou alguns prometidos compactos para o entusiasmado Francesco Coppola. Dali para frente, o amigo Fran foi quem mais fotografou diferentes shows dos PINHEADS e sempre divulgava a banda pelos muitos cantos que percorria.

No Stupid Hardcore Slogans

No Stupid Hardcore Slogans

Num iluminado dia, os PINHEADS cancelaram o apoio que recebiam da Cruel Maniac. Não queriam e não precisavam vincular o nome da banda com uma surfwear. Estavam numa fase na qual uma camiseta básica branca, preta ou listrada, dizia muito mais do que estampas e logomarcas.

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Arquivado em 1994

It´s more than friendly, son

Tocar fora de Curitiba era quase sempre muito bom, mas era na cidade natal que tinham o público mais intenso e receptivo. Quando se tem vinte anos de idade, algumas coisas acontecem rápida e intensamente. Um admirador da banda levava um ou dois amigos e amigas da sua universidade. Todos simpatizantes do punk rock. Uma dessas amigas leva uma outra que nunca ouviu hardcore, mas que estava afim de barulho e diversão.

Uns dois moleques sabem que a bela garota vai marcar presença e marcam com toda turma de se encontrarem no Aeroanta, às 23 horas. E assim, formava-se a massa adolescente. Quarenta por cento gostava da banda. Outros 40 estavam lá pelo rock e pela night. Outros 20% lamentavam o barulho todo, mas lá estavam pois era um dos locais mais cheios naquela noite curitibana. Desse jeito, os PINHEADS levavam 700, 800 pagantes ao Aeroanta.

A base deste público era formada por pessoas que realmente entendiam a verdadeira essência, o verdadeiro espírito e motivo pelo qual a banda estava tocando. Para os PINHEADS, punk rock era sinônimo de público e artista no mesmo nível. De alguma forma, em alguns momentos, um seria o espelho do outro. Procuravam ser inclusivos, não arrogantes e abertos. Neste punk rock, interessava a inclusão de pessoas que se sentiam deixadas de lado ou que estavam desiludidas com seu círculo social.

A idéia era ter disposição para confrontar pessoas ou instutuições que lhe pareciam injustas ou falsas. Não se sentiam conectados com aqueles que eram elitistas, exclusivistas, nem com aqueles que pensavam que seu modo de vida era um modelo de como os outros deveriam viver.

O espaço mais querido pelo grupo começava a ficar pequeno, pois o 92 Graus ainda não tinha a estrutura adequada que o tornou notável na cena curitibana dos anos 2000. Então, a saída era tocar no 92 mas em shows diferenciados. JR teve uma boa idéia e começou a agendar os Take Five. Eram shows com cinco bandas tocando cinco músicas.

Num domingo, 23 de outubro de 1994, se apresentaram PINHEADS, Slack Nipples, No Milk Today, Paincult e Silly Bones. Tocar com bandas amigas era sempre saudável. O Slack Nipples começava a compor também em português. Rodrigo Meister, Trajano, Carmino e Mauricião faziam o segundo show da história do (ainda cru) No Milk Today.

Clássicas filipetas do 92 graus

Clássicas filipetas do 92 graus

Com a certeza de que levariam um bom público, os PINHEADS começaram a produzir seus próprios shows. Podiam tocar quando e com quem quisesse. Se preocupavam com detalhes óbvios, mas que nem sempre eram respeitados em outros eventos. Começavam a peleja num horário sensato. Tentavam colocar algum amigo para discotecar boa música. Faziam um cartaz objetivo e sem firulas. Procuravam colocar um preço honesto no ingresso. Divulgavam pelos quatro cantos da cidade e buscavam trazer boas bandas para tocar junto.

Na maioria das vezes, um show com apenas duas bandas era bem melhor do que com três, quatro ou cinco! Agendavam shows em boas datas, quase sempre aos sábados. Março e agosto sempre eram bons meses, pois era época de voltas às aulas. Gostavam de participar de festivais ou de abrir para bandas mais experientes, mas comandar o seu próprio evento era sempre prazeroso e ensinava algumas coisas. Tinham a consciência de que não poderiam controlar a realidade, mas sabiam que poderiam controlar como lidariam com a realidade.

Júlio tinha um colega na Arquitetura que sempre lembrava que, se os PINHEADS precisassem de alguma ajuda, ele estaria disposto. Assim, a marca do Luli (Luis Guilherme de Santana), do Henrique e do Murilo iria ajudar na parte de divulgação da banda. A Madshades era uma micro marca e não tinha ambições absurdas.

Eles apenas queriam fazer arte. Três quadras do bairro Vila Izabel separavam o local de ensaio dos PINHEADS (churrasqueira da casa do Dude), do atelier da Madshades (que era no caótico e estiloso quarto gigante do grande Luli). Dalí saíam faixas para ficar atrás do palco, adesivos e camisetas. Luli aceitou a “idéia contrafluxo” de Júlio e Dude, e confeccionou uma série de camisetas dos Pinheads com desenhos meio nonsense.

Ao contrário do que uma banda de hardcore apresentaria, o trio colocou como estampa de camiseta desenhos de objetos bizarros como estilingue, pião, catavento, dados etc. Pouca gente entendeu, mas era isso mesmo que queriam passar junto com o nome da banda estampado na camiseta. Queriam confundir um pouco.

A Madshades ajudava e não queria nada em troca. Não queria que a banda crescesse junto com a marca. Não organizava eventos pedindo para que os PINHEADS tocassem. Era esse tipo de apoio que o grupo queria. Além do mais, Luli era boa companhia, viajava na medida certa nas idéias de vanguarda e tinha no currículo o fato de ouvir Devo desde antes dos dez anos!

Pinheads IML Dreadfull Dead FishNo dia 10 de novembro de 1994, os PINHEADS e a Madshades organizaram um belo show no Aeroanta. O line-up trazia bandas de quatro estados brasileiros. Além dos curitibanos, I.M.L. (da capital paulistana), Dreadfull (de Belo Horizonte) e o Dead Fish (do Espírito Santo). Os Peixes Mortos capixabas vieram meio que por conta própria, pois o baterista tinha parentes em Curitiba. Os outros dois receberam passagens e hospedagem.

Os PINHEADS pegavam parte da grana que ganhavam na bilheteria para trazer bandas que gostavam. Naquela noite de quinta-feira, 700 pessoas pagaram ingresso no Aeroanta. Dreadfull abriu a noite com seu som meio Jawbreaker com pitadas de ska. O fugaziano I.M.L. veio na seqüência. Os PINHEADS fizeram seu set característico e o cover da noite foi Walking on the Moon, do The Police. Dead Fish fechou a festa com petardos de sua primeira demo (cantada em inglês) e com uma boa versão de Anesthesia, do Bad Religion.

Júlio Linhares, guitarrista dos Pinheads, 1994

Júlio Linhares, guitarrista dos Pinheads, 1994

Na noite seguinte, na sexta-feira, muita gente lotou o mesmo Aeroanta para ver Spy Vs Spy (detalhe para o baterista usando a camiseta dos PINHEADS do show da noite anterior). E no sábado: Ramones, Sepultura, Viper e Raimundos tocaram na Pedreira Paulo Leminski. Era a turnê Acid Chaos e os Ramones tocaram pela primeira e única vez na terra dos pinheirais. O ponto alto foi quando tocaram o cover do Creedence Clearwater Revival, Have You Ever Seen The Rain, depois que o céu já tinha desabado sob a capital do Paraná. Foi um final de semana marcante para muitas pessoas.

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Bolas Gigantes de Plástico

Agendar shows dependia de vários fatores, mas quase sempre os três integrantes concordavam entre si. Às vezes, se arrependiam de algum concerto em algum local com alguma banda. Quase sempre aprendiam a lição. Mas em um clima de férias aceitaram tocar no Clube Curitibano, numa quinta-feira, dia 1º de dezembro de 94. Era uma festa de amigos de amigos. Entrada franca.

Não receberiam nenhum cachê. Tocariam ao lado de bandas que não tinham mais o mesmo público e nem a mesma sintonia dos PINHEADS. Eram elas: Monkey Brain, Soul Striper e Resist Control. Foi um daqueles shows que você se arrepende de ter agendado logo que vê o flyer circulando, porém, não quer voltar atrás.

Nesses casos, não recomendavam e não convocavam os melhores amigos para a empreitada. Mas procuravam fazer um show no mínimo correto. E assim tocaram e aprenderam a lição definitivamente. Só tocariam quando e onde quisessem e de preferência no esquema “faça você mesmo!”.

Dudu, Fábrica de Vagabundos, 1994

Dudu, Fábrica de Vagabundos, 1994

Dez dias depois, veio mais uma edição do BIG, organizado pelo grande JR. O festival era ambicioso, traria bandas de diversos estados e com shows em todos os dias da semana. Como já era esperado, não foi um total sucesso de público, mas teve ótimos momentos.

Ao lado do Muzzarelas, Paincult, No Class e No Milk Today, os PINHEADS tocaram num lugar pequeno e extremamente tosco chamado Fábrica de Vagabundos. A espelunca não durou meio ano, mas pelo menos serviu para que o trio fizesse um show bem desprentensioso.

Dude tocou baixo em Skate Session (com Robério do Anarchy Solid Sound assumindo as baquetas) e experimentou um set list diferente. Em ritmo de festa, Júlio teve a idéia de comprar umas bolas de plástico que eram vendidas nas esquinas da cidade. Seria perfeito para entreter a numerosa platéia, principalmente num local que não tinha nenhum equipamento de iluminação ou de som profissionais. A partir daí, mais uma atração foi incorporada nos shows do grupo: as bolas gigantes, coloridas, de plástico.

Paulo lembra esta noite:

“Tive uma caganeira enorme antes do show do Pinheads, e tive que usar o banheiro que era embaixo do palco… imagine o estado. Limpei a bunda com o set list dos Muzzarelas.  ET vibrou com o ato!! Ha, ha… A outra cena era que raspei a cabeleira que Mauricião cultivava há anos, segundos antes dele entrar no palco com o No Milk Today”.

Uma das bolas gigantes de plástico

Uma das bolas gigantes de plástico

Era o fim de mais um ano. A gravação ruim de Where´s The Silver Tape? foi o ponto negativo, porém, bons shows compensaram. Shows em locais maiores, fora de Curitiba, em festivais ou organizados pela própria banda. Para o ano que viria, tinham na manga músicas novas e uns trocados na caderneta de poupança da banda. Era o fim do super intenso 1994.

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Início de 1995

O ano de 1995 começou apenas em fevereiro, com dois shows pelo interior de SP: Jundiaí e Santa Bárbara do Oeste. Em Jundiaí, os PINHEADS tocaram em um bar tosco chamado Blackout, com uma aparelhagem ruim e com um público pequeno, porém, com a presença de alguns interessados como o DJ Ary e uma banda de Americana que abriu o show, Tina Pepper.

Pinheads Blackout

Em SBO tocaram no dia seguinte, quatro de fevereiro, num sábado, juntamente com Tube Screamers e Mullekadas. O Hitchcok era um espaço clássico do interior de SP e era comandado pelos irmãos da banda Concreteness.

Muito calor em SBO

Muito calor em SBO

Neste show, um encalorado Júlio foi tirando camiseta, depois tênis e meia, depois ficou apenas de cueca samba-canção. Foi um bom show e valeu pelo público presente: Fran, Tatu, Carioca, ET e os Tube Screamers, que fizeram um dos últimos e melhores shows de sua história. Com os Tube Screamers a saudável troca de sons também era intensa. Marcelo Fusco, o baterista, era um aficcionado por bandas da gravadora SST.

Assim, os PINHEADS completavam a discografia de bandas como Descendents, Minutemen e Black Flag. Júlio e Luli voltaram para Curitiba, Dudu e Paulo foram para o RJ passar uma semana com Laércio, Nervoso, Demétrius e Cláudio, os Beach Lizards. Depois de quatro dias, Dudu voltou. Paulo ficou mais dois e junto com o Anarchy Solid Sound passou mais um final de semana na região de Santa Bárbara, Jundiaí e Americana!

Pinheads Hitchcock

Paulo respirava Medicina e punk rock e, aproveitando seus inúmeros contatos pelo Brasil, mais as maravilhas tecnológicas dos novos computadores da época, fez o Back Core, um fanzine de quatro páginas. O Back Core teve três edições e seu mote principal era a divulgação das boas bandas punks nacionais.

Filipeta de divulgação do zine

Filipeta de divulgação do zine

Phú, da banda brasiliense DFC, estava arquitetando um disco homenagem aos Ratos de Porão. Os PINHEADS foram convidados e escolheram a música Traidor. A música nunca foi gravada, pois o projeto ficou na geladeira e acabou sendo lançado apenas em 1998. Os Anões de Jardim e os Krápulas representaram Curitiba nesse tributo intitulado Traidô – 20 bandas tocando Ratos de Porão.

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Arquivado em 1995

The Cool Crowd

Uma segunda proposta para gravar um álbum veio com a gravadora Polvo. A falta de contato direto com aqueles cariocas monossilábicos era tão broxante quanto a oferta, pouco esclarecedora. O contrato capcioso dava a entender que os PINHEADS abriam mão de direitos autorais e firmava compromissos nebulosos. Menos sorte teve os curitibanos da banda amiga Uv Ray, que entraram no esquema da Polvo e nunca tiveram o prometido álbum lançado.

Saca só o depoimento do amigo, André Scheinkmann, guitarrista do UV RAY:

“Polvo foi um selo bizarro. Lançaram Dash, Big Trep, Beach Lizards e nós ficamos pra história. Eles bancaram 60 horas de gravação num estúdio na Glória, Rio de Janeiro, em janeiro de 1995. Em fevereiro passei no escritório do estúdio, que era em Copacabana, para assinar uma papelada de liberação de músicas e tal. Você bota fé que o diretor da gravadora , o tal do Marcelo, nem se deu o trabalho de sair da sala dele?!

Assinei os papéis com o assistente, e dava pra ver o cretino pelo vidro fosco de costas na cadeira, se achando o 007! Tínhamos falado inúmeras vezes por telefone numa boa, o cara se mostrando simpático e ‘amigo’… a partir de então saquei que a coisa não era séria. Gravamos, mixamos e masterizamos (naquele nível de qualidade da época), e os caras não lançaram. Pelo menos fizemos uma cópia numa DAT e trouxemos com a gente, de outro modo nem a gravação teríamos. Na época lembro de falar com o Paulo. A Polvo tinha feito uma proposta para os Pinheads e ele veio trocar uma idéia comigo. Dei a letra do que tinha rolado, mas ele já tinha sacado que o cabra era pilantra”.

Entre os melhores da história de ambas

Entre os melhores da história de ambas

No dia 11 de março, Beach Lizards e PINHEADS lotaram o Aeroanta. Sempre dando suporte para a platéia, a verdadeira estrela dos shows, a banda fez um set equilibradíssimo, incluindo as novas Try! e Friendly Song. Jogaram as bolas de plástico (para o desespero dos donos do local) e o cover da noite foi Salvation, do Rancid. Karina, da banda No Class, tocou baixo na música Plutoflipper’s Land. Segundo o baixista Laércio, foi o melhor show da história dos Beach Lizards; e certamente um dos top 3 dos PINHEADS. A platéia era basicamente composta de gente amiga.

A roqueira mezzo-curitibana mezzo-paulistana Inti, relembra:

“Foi inesquecível Pinheads e Beach Lizards no Aeroanta. Lembro bem que eu e a Karina do No Class, estávamos assistindo ao show atrás do palco e aí a gente não se aguentou e saiu correndo junto lá de trás, as duas ao mesmo tempo e pulamos na galera. Foi um stage dive histórico!! O Tatu e o Fralda nos seguraram, senão… Detalhe: nós duas estávamos de saia… Bons tempos! “.

Pinheads Set_list_Lizards_1Pinheads Set_list_Lizards_2

Logo após o show de abertura dos Beach Lizards, um rapaz pediu para ficar em cima do palco durante todo o show dos PINHEADS. Com o maior prazer, o trio reservou um lugar privilegiado para o fã, um cadeirante portador de deficiência motora nos membros inferiores. Animado, sorridente e cantando junto, o rapaz era um show à parte. O ápice foi quando o tiraram de sua cadeira de rodas e simplesmente o jogaram no crowd surfing.

O rapaz fluía nas mãos do público, todos se esmerando em não deixar que nada de errado pudesse acontecer. Um minuto depois, eufórico, estava de volta à sua cadeira de rodas. Dudu, Paulo e Júlio fingiam que nada estava acontecendo, mas no fundo de seus corações, vibravam e sentiam orgulho de seu público.

Pinheads, 11 de março de 1995, Aeroanta

Pinheads, 11 de março de 1995, Aeroanta

Um dia antes, o Caderno G da Gazeta fez uma matéria divulgando o show com os Beach Lizards, no Aeroanta. O texto de meia página dizia que o trio já estava de contrato assinado com o selo Polvo. Sedento por noticia, o jornalista acabou forçando a barra. De fato, a Polvo chegou a enviar pelo correio o contrato de um álbum. Mas Paulo simplesmente o rasgou e jogou no lixo de sua casa.

Pinheads Flyer Circo_voador

Em plena sexta-feira santa da Páscoa de 1995, os cariocas retribuíram a gentileza: PINHEADS, Cabeça, Funk Fuckers (com B Negão) e Beach Lizards tocaram no lendário Circo Voador, no boêmio bairro da Lapa.

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Arquivado em 1995

Hand In Head

Era hora de gravar as novas músicas. Doze petardos foram compostos desde Silver Tape. Tinham uma grana contada, que cobriu o custo para gravar, em dois dias, no Estúdio Solo. E ainda pagou quatro passagens de ônibus (duas de ida e duas de volta) para João Gordo. O vocalista dos Ratos de Porão tinha uma boa relação com os PINHEADS e, sempre que aparecia em Curitiba, recebia uma visita, uma camiseta ou a gravação em cassete de um novo álbum do D.I.

Numa dessas vezes, João Gordo recebeu a gravação ao vivo que tinha sido feita no meio de 94, com cinco músicas novas. E aceitou o convite para produzir o novo material. João não cobrou nada e sem nenhuma frescura dormiu por duas noites em um quarto improvisado na casa do Mauricião. O vocalista da banda punk mais famosa do Brasil mostrava um ecletismo impressionante no seu case de CD’s: música eletrônica, thrash metal, Racionais Mc’s, Smash do Offspring e o álbum azul do Weezer.

No estúdio, João se preocupou, primeiramente, com o fundamental: afinação, equalização, timbres. Dispensou uma mesa digital e preferiu trabalhar em uma analógica. Vetou o uso do contra baixo empenado do Paulo. Segundo Gordo, o instrumento de quatro cordas mais parecia um berimbau! O auto intitulado quarto pinhead Mauricião, teve que sair correndo para catar no Guabirotuba seu singelo, porém decente, contra-baixo.

Depois, Gordo jogou a responsabilidade para os três PINHEADS. Victor França foi o engenheiro de som. O trio estava mais veloz do que nunca e a maioria das músicas já tinha sido bem testada em cima dos palcos. A gravação e mixagem ocorreram nas noites do dia 31 de março e no Dia da Mentira. Estavam muito bem ensaiados, mas o tempo era curto. O esquema de gravação foi bem simples: bateria e baixo, uma guitarra, depois outra, vocal principal e backing vocals.

João Gordo dava poucos palpites, mas a sua presença aumentava a responsabilidade de todos. Paulo e Júlio fizeram backing vocals e os amigos Mauricião e Alexandre (dos Anões de Jardim) também deram seus gritos. Alguns erros acabaram ficando (principalmente de Dude, em Slowmotion), mas João Gordo tranqüilizava com frases do tipo: “Deixa assim… pureza punk”. Quando alguém errava, o outro também relevava: “Agora já foi… a tosqueira governa”.

As doze músicas mostravam um hardcore veloz e belas melodias. O som estava mais pesado e as músicas menos óbvias. Três quartos das músicas eram porradas de até dois minutos. A veia punk rock latejava em algumas faixas e estourava em It’s In Your Hands e Slowmotion.

Júlio ficou encarregado da concepção gráfica. Mauricião transcreveu as letras de próprio punho. Os zineiros Raí e Luís Junior colaboraram com o desenho da capa. Dude, como sempre, elaborou a ordem das músicas. Inspirado pela capa do primeiro álbum do Down By Law, Paulo deu o título: Hand in Head. “Mão dentro da cabeça” remetia à alguém levando a mão à cabeça diante de alguma emoção positiva ou negativa.

Pinheads capa Hand_in_head

Durante a composição das músicas de Hand In Head, Dude, Paulo e Júlio se entendiam apenas com um olhar, um sorriso ou uma cara feia. As músicas vinham naturalmente, os arranjos, as paradinhas, as finalizações. A idéia de um se encaixava na do outro. Tudo fluía naturalmente. Era um prazer ensaiar, fazer música e escrever letras.

Pinheads capa_Hand_in_head principal

Irritantemente apaixonados por música, mas um pouco iconoclastas, Júlio, Paulo e Dude tinham, cada um, suas obras musicais favoritas, e sabiam que seria proveitoso pesquisar e descobrir as origens e as fontes. Quanto mais informação, mais entendimento e menos mitificação. Isso de forma alguma desvalorizaria suas predileções, a não ser que o álbum (ou banda) não fosse verdadeiro e não tivesse personalidade e forma própria.

Os PINHEADS gostavam de quase tudo relacionado a punk rock e hardcore. Amavam Hüsker Dü tanto quanto amavam Dag Nasty ou Bad Religion. Curtiam Ramones tanto quanto The Clash e The Damned. Gostavam igualmente de Pennywise, Sick Of It All, G.B.H ou Subhumans. Queriam ter escrito alguma música dos Beach Lizards, dos Muzzarelas, do Slack Nipples, dos Inocentes, dos Ratos ou do Primal Therapy .

Mas em Hand In Head, os PINHEADS estavam fazendo apenas e exatamente o que eles sabiam fazer: um feijão com arroz bem apimentado. Compensavam suas limitações técnicas com velocidade e energia. Das 12 músicas, apenas duas tinham mais de dois minutos! Na mixagem, João Gordo sugeriu deixar o volume do vocal “um cabelinho” mais baixo do que o normal. Foi uma idéia acatada.

Assim, não jogavam tanta responsabilidade na esforçada voz de Paulo e destacava-se o que era mais relevante: a sonoridade, o punch e a dinâmica das músicas. Paulo escreveu muitas músicas, Júlio mais da metade e, no final, até o baterista Dude poderia receber um pouco de crédito. Quarenta por cento das letras foram compostas por Paulo, trinta por cento por Dude e o trinta por cento restante era uma dobradinha Paulo/Dude.

Encarte com créditos e letras

Encarte com créditos e letras

De autoria de Paulo, Friendly Song abriu o registro. Sonoridade Nofx e letra mostrando que a música, muitas vezes, pode ser como o cão, o melhor amigo do homem. Na letra, uma homenagem à banda amiga Dreadfull:

“It´s more than friendly, son/ It´s in the corner of your room/ Listening to Dreadfull/ Loud in your headphones…”.

Palavras de Paulo: “Compus sentado em casa em 10 minutos num papo com o Seixas… a letra saiu em 5 minutos”.

Take a Decision, música composta por Júlio, trouxe a primeira dissonância no som da banda. A letra foi composta por Dude, dia 25 de dezembro de 1994, após uma cerveja na casa do supra-citado Seixas. Dilemas amorosos em datas comemorativas castigavam o indeciso e adolescente baterista. Traduzindo, dizia:

“É bom conversar com pessoas interessantes/Escutando músicas que lembram romances/Bebendo latas de 300 ml’s/Pensando com os olhos lá longe/ Amanhã, sei que ela pode não ser mais minha/ Mas, desculpa, tenho muitas dúvidas”.

A terceira música de Hand In Head era Worth It?. Inteiramente composta por Paulo, uma das melhores, mais furiosas e rápidas dos PINHEADS. Paulo escreveu a letra em homenagem ao recém-falecido colega Aderbal.

It’s In Your Hands: mais uma música de Júlio, com letra de Dude. Inspirado em Bill Stevenson, Dude resolveu escrever (no dia do seu aniversário de 20 anos) a letra de amor mais escancarada dos PINHEADS.

Somebody Help Me: música de Júlio e Paulo. Letra: Paulo. Uma das agressivas que mais funcionavam nos shows. O hardcore mais direto e certeiro do grupo.

A demo chegava na metade com uma música 100% Paulo: We Still Have Time. Paulo não queria compromisso finalizando com “Give me some reasons to link me, I know it´s good, but I can do it 10 years later, I give a shit to what they think!, Beer still speaks louder than you do”.  Dez anos depois, ele faz o mea-culpa: “Não queria namorar, somente curtir e deixar as coisas como estavam. Mas fui muito estúpido nessas horas, tratava mal algumas mulheres”.

Try!: música de Júlio e letra de Paulo. Começava com guitarra bem ao estilo do guitarrista e logo vinha a porrada costumeira. Para quebrar o clima, Júlio (fascinado por Operation Ivy na época) tratou de colocar um skazinho bem simples e Paulo finalizava com vocal falado e distorcido inspirado em Dave Smalley, na música Punk As Fuck, do Down By Law.

Júlio também estava inundado por No Fun At All e compôs Destination Zero. Dude e Paulo trataram de fazer a letra. O sing-along Oooh Eooooh Eoh no final era uníssono em shows de 1995. Dude intitulou a música homenageando uma banda alemã (projeto de membros do Razzia e do Slime) de mesmo nome.

Can You Hear Me? também era música Júlio + letra Dude e Paulo. Desespero e agressividade por todos os lados: letra, baixo sozinho na paradinha, início caótico da bateria etc.

O contraponto veio com Slowmotion, uma canção mais roqueira, mais lenta, com guitarras elaboradas e backing vocals. Mais uma música do inspirado Júlio e mais uma letra de Dude. O baterista se desculpava por mais uma letra desanimadora. Na tradução:

“Me desculpe, você não tem nada a ver com isso/ Só quer diversão e eu aqui… jorrando minhas dúvidas em seus ouvidos/ É que música tem sido meu único refúgio, mas você tem sido o único alvo/ Então se importe apenas com o som ao redor de sua cabeça”. No refrão, Paulo alternava sotaque estado-unidense e britânico em “last” e “fast”.

Today Is The Day: música Paulo, letra Dude. Hardcore em todos os sentidos. Velocidade, agressividade, letra indignada.

Dude sempre quis uma música dos PINHEADS começando com vocal bem ao estilo dos australianos do Hard-Ons. Infelizmente, a única que tinham nesse naipe era Luxury Bitches. Por isso, Dude sugeriu ao vocalista Paulo que começasse Face the World berrando o título da música. Não era exatamente um lance Hard-Ons, mas ficou legal. A fita demo acabava com uma faixa escrita pelos três. Letra positiva e encorajadora. No final de Face The World a característica melodiosa do trio amaciava os ouvidos após os doze petardos de Hand In Head.

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“Larga o piá, larga o piá”

No domingo seguinte, dia nove de abril, juntamente com os Anões de Jardim, os PINHEADS abriram para os Ratos de Porão. O show foi no Aeroanta e tocaram apenas Hand In Head de cabo a rabo, sem nenhum erro. Não iniciaram com a tradicional Oh Ja!, mas com Friendly Song. Foi uma atrás da outra, sem diálogos, comentários ou agradecimentos, até encerrar com Face The World.

Três bandas de hardcore

Três bandas de hardcore

A divulgação de fitas demo era complicada. Cada integrante gravava muitas cópias em sua casa ou em outro aparelho duplo tape deck na casa de amigos. Desnecessário dizer que as gravações ficavam diferentes. Algumas mais graves, outras mais agudas. Algumas boas, outras ruins. A qualidade também dependia da fita cassete: nacional ou importada, normal ou cromo. Hand in Head era distribuída gratuitamente, de mão em mão. E pelos Correios do Brasil era despachada para fanzines, distribuidoras, amigos e pequenas gravadoras.

Dudu Munhoz, baterista dos Pinheads

Dudu Munhoz, baterista dos Pinheads

Com a nova demo tape, estavam prontos para subir em cima dos palcos. Em maio, aproveitaram uma boa oferta que apareceu e alugaram uma van para a próxima empreitada: show em Ponta Grossa. Mais uma vez, numa festa de campeonato de skate, desta vez organizada pelo Teco da Maha Street Wear. O insano campineiro Tatu esfumaçou o veículo, Trajano e Serginho (irmão do Júlio) também se juntaram à turma.

Foi um show competente no novíssimo Aeroanta de PG, juntamente com o Confusion Oba! e Ex-Lax. Era o segundo show dos amigos do Ex-Lax, que faziam um bubblegum inspirado em Screeching Weasel. Eles logo lançariam a primeira demo (Cabongue), na qual Paulo fez backing vocals em duas faixas. O Confusion tinha apenas três músicas próprias e recheava seu repertório com covers bem tocados de bandas como Ramones, Operation Ivy, Nofx, Bad Religion e Green Day.

Sobre o show do PINHEADS, Marcelo Vieira lembra: “Parei um show do Pinheads em Ponta Grossa. Subi no palco pra dar um stage dive e os seguranças me pegaram pra jogar pra fora. Vendo isso, o Paulo gritava no microfone “Larga o piá, larga o piá!!!”  e o Júlio jogou a guitarra no chão e saiu dando porrada nos seguranças. Divertidíssimo. Naquela época era crime pogar e dar mosh em lugares como o Aeroanta de Ponta Grossa”.

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