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Flying Music For Flying People

Os amigos da banda mineira Dreadfull arduamente conseguiram convencer a gravadora Cogumelo que uma coletânea punk/hardcore seria uma boa pedida. PINHEADS foi uma das bandas escolhidas. O selo mineiro já tinha lançado expoentes do metal brazuca, como Sepultura, Sarcófago e Ratos de Porão. No lado hardcore, colocaram na praça o LP do Safari Hamburguers, um CD do Sociedade Armada e dois álbuns do Psychic Possessor.

É claro que os PINHEADS queriam lançar um álbum inteiro só seu. Mas isso era tremendamente difícil no Brasil da época. Daquela turma que tocava punk/hardcore, apenas Safari Hamburguers, Cold Beans, Sociedade Armada, Garage Fuzz, Muzzarelas, Beach Lizards e Anarchy Solid Sound conseguiram.

E mesmo assim, não tiveram um retorno interessante. Inclusive, metade dessas bandas estava em completa inatividade. O único CD 100% independente era do Cold Beans, via Short Records. Dead Fish só foi lançar seu primeiro álbum em 1997, mesmo ano que o Garage Fuzz teve seu segundo trabalho registrado pelo selo Spicy.

Os Muzzarelas só foram editar seu segundo CD em 1998. Em Curitiba, até mesmo as bandas mais “radiofônicas” conseguiram apenas lançar uma coletânea nesses primeiros anos de massificação do compact disc. A gravadora Banguela apostou em quatro bandas curitibanas, e lançou no início de 1995 a coletânea Alface, com Magog, Boi Mamão, Resist Control e Woyzeck. Repetindo, era muito complicado lançar um CD no meio dos anos 90.

Portanto, foi bem vinda a proposta de uma coletânea com mais quatro boas bandas por um selo de médio porte. Para essa coletânea, tiveram que pagar “apenas” a gravação, o que deixou a poupança da banda com saldo pequeno, mas ainda positivo.

Luciano Tristão, baterista do Dreadfull, foi quem idealizou a coletânea, escolheu as bandas e a ordem delas no CD. As escolhidas foram: PINHEADS, Dreadfull, Primal Therapy (de Santos) e Noise Grind (de Porto Alegre). A idéia era abranger o país, e assim, o Sul e o Sudeste deram suas caras. Paulo sugeriu Flying Music 4 Flying People e, espontaneamente, a coletânea ganhou um título.

Cada banda teria aproximadamente 17 minutos para mostrar seu trabalho. Dessa forma, os PINHEADS trataram de escolher oito músicas que entrariam no projeto. Três novas (Wish You Go Away, Into Another Cyco e Runaway) entrariam com certeza. Eram o supra-sumo de toda a evolução e maturidade do trio. As outras cinco músicas foram escolhidas de forma democrática.

Cada Pinhead votava em uma música que imediatamente entraria na coletânea, e votava em mais três de sua preferência, para fechar as outras duas restantes. Um empate fez com que tivessem a árdua tarefa de escolher qual música ficaria de fora, e Destination Zero acabou sendo limada.

Na primeira semana de 1996, entraram mais uma vez no estúdio Solo. Reservaram dois dias inteiros. A produção ficou a cargo da própria banda. Victor França foi o engenheiro de som e (o Senhor Banana) Sérgio Soffiati masterizou, pois conhecia os equipamentos do Solo com maestria.

Desconfiavam de que poderia ser o último registro da história da banda e entraram afiadíssimos. Foi o auge do trio dentro de um estúdio. Gravaram quase tudo nos primeiros takes. Bateria e baixo na mesma sessão, depois guitarra, guitarra dobrada e outras guitarras. Depois vozes. Para fechar, backing vocals.

Créditos e letras no encarte da coletânea

Créditos e letras no encarte da coletânea

Paulo e Dudu escolheram a ordem das músicas no registro. Runaway foi escolhida para abrir. Uma música nova, um pouco diferente da batida tradicional da banda. Letra de Paulo e música de Paulo e Júlio.

Take a Decision apareceu um pouco mais rápida e bem acabada do que na demo Hand In Head. Pena que o diretor de arte limou algumas palavras na letra do encarte.

Na seqüência, I’m Not A Nerd. Uma das prediletas do público recebeu uma regravação digna, com destaque para o contra-baixo de Paulo. No final, emendaram o início de Somebody Help Me para, na seqüência, Paulo dedilhar as primeiras notas de Wish You Go Away. Um punk rock melodioso com letras e músicas by Paulo.

A quinta música era Slowmotion. Desta vez, sem erros. Baixo e guitarras muito bem trabalhadas. Novamente, algumas palavras da letra foram limadas no encarte.

Plutolflipper’s Land mostrava a evolução desde o compacto For Fun. Veloz, refrão contagiante, representava o hardcore do trio. Desta vez, deixaram de fora os aaaaaaahs do final da faixa. Alguns backing vocals também foram excluídos da faixa seguinte, It’s In Your Hands.

Para encerrar, com ar de despedida, mais uma nova composição, Into Another Cyco. Outro punk rock melodioso “música Paulo/letras Dudu”. No final, barulho de cabo desplugando da caixa de som, baquetas e fones de ouvido caindo abandonados. Um anúncio de um possível fim de banda, o barulho da porta do aquário do estúdio se abrindo e, logo em seguida, fechando.

Realmente, era um ciclo que findava. Finalmente, com músicas bem gravadas. A primeira demo era punk rock básico. O compacto era punk com hardcore. Where’s The Silver Tape? era super hardcore, assim como Hand In Head. E a coletânea acabou punk rock (mas não tão básico), pois foram escolhidas faixas não muito rápidas, como as novas,  que também seguiam a mesma linha. Agora, era esperar o lançamento da coletânea e decidir o futuro da banda.

Após cinco meses fora dos palcos, PINHEADS fez seu primeiro show do ano de 1996 no dia três de abril. Só bandas locais: PINHEADS, Confusion Oba! e Skuba.

Flyer do único show do primeiro semestre de 1996

Flyer do único show do primeiro semestre de 1996

A banda de ska de Paulo e Mauricião fazia sua estréia com um set list de oito músicas a la Mighty Mighty Bosstones. A essência do Skuba era diversão, com letras (em português) sobre churrasco, bebedeira e mulheres. A sonoridade tinha um apelo pop/rock contagiante, porém, as letras mais pareciam um diálogo recheado de piadas internas entre os melhores amigos na época, Mauricião e Paulo.

Informativo do Aeroanta.

Informativo do Aeroanta

O Confusion mostrava maturidade e estreava no Aeroanta com boas composições próprias e um cover de What Do I Get?, dos Buzzcocks. PINHEADS fez o set clássico, sem tocar nenhum cover. Destaque para a seqüência de músicas emendadas, com I’m Not A Nerd, Somebody Help Me, Wish You Go Away e Face The World.

O ano já chegava à metade e a coletânea ainda não tinha ficado pronta. Nove meses sem compor uma única música nova! Nos únicos dois ensaios desde o show de abril, tocaram alguns covers novos, apenas para desenferrujar, e até tentaram uma música nova de autoria de Paulo. Mas a coisa não fluía! Paulo acabou finalizando a música sozinho e entregou para os Beach Lizards. O quarteto carioca precisava de músicas para fechar sua carreira com um segundo álbum, o brilhante Spinal Chords.

A música acabou sendo gravada e recebeu o título de Pinhead Hymn. A belíssima letra de Paulo era uma declaração de amizade dos PINHEADS com os Beach Lizards:

“…distance is not trouble, we respect you the same/always waiting for us with true real smiles/things are not ok for me, however deep inside I´m good/ ´cause I know I always can rely on you my friends/and no, I´ll never give you up/to think of you and wish you well…”.

Quando Flying Music 4 Flying People chegou, os PINHEADS estavam em quase completa inatividade. O cansaço natural de se dedicar à uma banda não profissional, somado aos compromissos de estudo e trabalho, fizeram com que a idéia de encerrar as atividades fosse natural e crescente. No fundo, sabiam que tinham chegado ao limite de suas qualidades e empenho. Se quisessem ir mais longe, teriam que se dedicar muito à música e isso estava fora do plano dos três. E se não fosse para fazer algo superior ao que já haviam feito, melhor não fazer.

Se fosse para acabar, que acabasse de vez. Não imaginavam que no final dos anos 90, lançar um CD bem produzido ficaria muito mais fácil, e a cena alternativa de punk/hardcore nacional estaria bem mais estruturada e organizada. Inclusive, com shows internacionais de bandas interessantíssimas, como Bad Religion, G.B.H., Nofx, Seaweed, D.R.I., No Fun At All, Varukers, Down By Law etc.

No meio de julho, uma entrevista com Dudu em um fanzine paulista confirmava o iminente fim dos PINHEADS:

“É provável que acabe! Perdemos aquela empolgação. Atualmente, outras coisas são priorizadas e a motivação não é mais a mesma. Como sempre fomos e seremos ‘for fun’, vamos acabar enquanto ainda está legal!”.

Logicamente, um último show foi agendado. Antes, porém, Paulo quebrou o braço andando de skate na pista do Gaúcho. Fato que adiou por mais dois meses o fim dos PINHEADS.

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Arquivado em 1996

O último show

Num sábado, 23 de novembro de 1996, os PINHEADS fizeram seu último show. No cartaz de divulgação, estava escrito que seria o último show da banda. Aeroanta com 700 pagantes em um clima “The Last Goodbye”. Platéia composta pelos fãs fiéis, por amigos de fora como Fran, ET, André Nervoso, por amigos curitibanos e até mesmo familiares, como os pais do baterista Dudu.

Os amigos do Slack Nipples tocaram antes (Dudu tocou bateria no cover dos Vibrators, Whips and Furs) e, curiosamente, acabaram fazendo seu último show naquela noite de sábado. Anos depois, fariam mais dois shows minúsculos na Escola de Florestas da UFPR, mas sem o vocalista Tibério.

Flyer do último show

Flyer do último show

Cada pinhead escolheu um cover para tocar neste último show. Paulo atacou de Let´s Lynch The Landlord, com Mauricião fazendo os vocais a la Jello Biafra. Júlio optou por uma dobradinha: From The Mountains (dos alemães Gigantor) mais Commando, dos Ramones. E Dudu pediu Long Distance (do grupo All). Além disso, elaboraram dois medleys interessantíssimos. O primeiro deles começava com Orgasm Addict (Buzzcocks) passava por At Home In The Wasteland (do Down By Law) e finalizava com I Don´t Want You (dos Ramones).

O outro medley iniciava com Bloodstains (Agent Orange), mais Amoeba (dos Adolescentes) e findava com Wild On The Streets (Circle Jerks). Logicamente, o show começou com Oh Ja!. Depois, vieram Slowmotion, Skate Session (momento das bolas de plástico) e It’s In Your Hands. O ponto alto foi a seqüência, sem intervalos, de I’m Not A Nerd-Somebody Help Me-Wish You Go Away-Face The World. Também foram executadas Into Another Cyco, Psycho Zone, Do It Yourself, Won´t Change For Good, Forget The Problems e Take A Decision.

ET, dos Muzzarelas, tocou baixo em Plutoflipper’s Land, e Mauricio Gaudêncio bateria em The Basic Rock. A primeira composição do trio foi escolhida para fechar seu último concerto. A trajetória dos PINHEADS acabava com Stupid Brains.

Set list do último show

Set list do último show

Para a alegria da banda, China Meneghetti foi quem resenhou (a pedidos dos próprios PINHEADS) o último show, na Gazeta do Povo.

PINHEADS/SLACK NIPPLES

Aeroanta (Curitiba)

“Terminou em grande estilo a carreira de uma das mais festejadas bandas de Curitiba. Os Pinheads decidiram encerrar de vez suas atividades perpetrando um dos melhores shows da temporada entre as bandas locais.

Para a abertura foram convidados os camaradas do Slack Nipples que, num set relâmpago, detonaram uma dezena de punk rocks. Entre eles, faixas de sua demo mais recente e alguns covers como “Whips And Furs”, dos Vibrators. Depois entrou em cena o velho e conhecido intervalo interminável. Com o público à beira da irritação, saía dos alto-falantes uma estranha melodia andina para “criar um clima”. Surgiram os caras do Pinheads, mostrando que não estavam para brincadeira. A intenção era sair do cenário e entrar para a história.

Set longo e de qualidade irrepreensível, os Pinheads revisitaram sua carreira desde a música de abertura, “Oh Ja!”, a mesma com que abria os primeiros shows – seguida de “Slowmotion” da demo Hand In Head. Entre hits e alguns covers, não faltaram as participações especiais de músicos convidados (ET, dos campineiros Muzzarelas e Mauricião do Skuba). Além da performance do baixista e vocalista Paulo Kotze, que destruiu um velho baixo Dolphin. Reforçando a dose, a banda fez três medleys de clássicos do punk rock. Para fechar, Paulo proferiu a sentença final e o Pinheads relembrou “Stupid Brains”, sua primeira música. Não teve bis, nem aplauso – mas uma multidão atônita permanecendo em silêncio por cerca de um minuto.

Foram quase cinco anos de uma carreira iniciada com shows em colégios ao lado de outros nomes iniciantes – como a Relespública. O Pinheads se notabilizou como precursor local da tendência do hardcore melódico, que depois tomaria conta de várias bandas do circuito alternativo. Mais recentemente, o grupo se voltou para o punk mais pesado, produzido por João Gordo. Para deixar seu trabalho registrado em CD, o grupo vai figurar postumamente na coletânea Skate Session, a ser lançada em breve pelo selo mineiro Cogumelo”.

Um dia antes do prazo de entrega da resenha do último show, China ligou para Dudu para sanar algumas dúvidas. A conversa super agradável foi longa e o jornalista sabático deve ter confundido as bolas quando escreveu a parte final do texto, pois nunca foi falado, nem planejado, a tal coletânea Skate Session da Cogumelo.

Dudu, Paulo e Júlio

Dudu, Paulo e Júlio

O show teve a duração de 50 minutos e escancarou todas as qualidades e todos os defeitos do trio. Ali, estavam três amigos de vinte e poucos anos que se respeitavam, mesmo pensando muitas vezes de forma bem diferente. Ali estava um público que queria cantar junto, queria diversão e stage-dive, mesmo que isso atrapalhasse um pouco o show… afinal, voar do palco fazia parte. As músicas mais rápidas eram as que mais agitavam o público, mas o set list era composto de 50% de músicas não tão rápidas assim.

Os covers e as participações de amigos foram excessivas. Mas, era o último show e nada deveria ser levado muito a sério. Enquanto Júlio tentava consertar sua guitarra, Paulo destruía um contra baixo velho gentilmente “doado” por um amigo. A guitarra do Jack (Nipples), foi usada até o final do show, fato que limitou a liberdade e a espontaneidade do guitarrista dos PINHEADS. Mas como eles sempre diziam: “a tosqueira imperará… sempre!”. Francesco fotografou em preto e branco.

Alguém filmou o show em VHS. Quase todos os verdadeiros amigos estavam na platéia. Durante Stupid Brains alguém apareceu com uma placa escrito “Gabba Gabba Hey!”. Ao término da música, Paulo disse:

“Aqui termina a história da banda Pinheads. Obrigado!”.

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Arquivado em 1996

Relato do Fabian – Parte Um

Fabian, vocalista do Confusion relembra Pinheads:

Como explicar a importância do Pinheads para geração de hoje, com todo mundo sentadinho na frente do computador baixando discografias inteiras, mas sem paciência para ouvir uma música sequer? Tirando foto, escrevendo blog e montando fotolog antes mesmo da primeira composição? Na real, é impossível. Por isso meu relato deixa propositalmente de lado toda a perspectiva histórica e passa apenas pela visão pessoal. É a banda a partir do meu ponto de vista.

A primeira vez que eu vi e ouvi o Pinheads foi ao vivo, um show no Syndicate. Nunca tinha ouvido falar da banda, acho que fui na balada para encontrar uma garota de cabelo colorido que estudava na PUC e eu curtia demais. Fato é que uma coisa me impressionou logo de cara: havia bastante gente ali e quase todo mundo estava lá pra ver e agitar com a banda. Muitos até sabiam as letras das músicas. O set era composto quase que somente por músicas próprias. A exceção foi o cover de “American Jesus”, então do recém-lançado Recipe For Hate do Bad Religion. O pogo correu solto, igualzinho aos vídeos do Dead Kennedys e do DRI que eu tinha em casa.

Ir nesse show foi um dos passos definitivos para que eu realmente montasse uma banda. O primeiro foi ouvir o No Control. Mas essa é outra história, a do Confusion.

Voltando ao Pinheads, mais algumas observações desse (meu) primeiro show. Ao vivo, a banda era tosca. A guitarra do Júlio estava sempre apitando, muita microfonia. O Paulo, sempre hiperativo, pirava e soltava umas gírias meio sem sentido (principalmente pra quem não era da “turma”). Sempre tinha um começo de música em falso, coisas desse tipo. Isso nunca mudou, até o fim da banda. Mas ao mesmo tempo, de um jeito meio (mondo) bizarro, era uma banda absolutamente coesa, fluída, espontânea e forte, que contava com um maravilhoso repertório de músicas próprias. Composições simples e diretas, simplesmente fantásticas, combinando melodias extremamente assobiáveis com ótimos riffs, muita velocidade e energia.  Larguei momentaneamente da garota, fui para o pogo e o Pinheads ganhou mais um fã.

Lembro de comprar a demo “Where´s The Silver Tape” no CD Clube do Shopping Omar e ouvir aquela fita todo santo dia. Era o tal do hardcore melódico, antes do estouro do Bad Religion, do Green Day ou do Offspring. Era como se a gente tivesse uma dessas bandas na ativa por aqui. Ligação direta entre Califórnia e Curitiba. É claro que todo mundo ouvia as bandas da Epitaph na época, até porque muitas delas eram ótimas. Porém, o que fez do Pinheads uma banda diferente é que eles tinham as mesmas influências das bandas que estavam ouvindo, como NOFX , Down By Law ou Rancid. Punk rock nerds, os três: Júlio, Paulo e Dudu. Pode colocar aí na roda: Ramones, Pistols, Buzzcocks, Dead Kennedys, Adolescents, skate rock, The Police, new wave, punk tosco sueco, ALL, Descendents, Clash, Cólera, Inocentes. E literalmente uma porrada de outras referências, da Europa, do hardcore americano dos anos 80, do indie rock, do bubblegum, dos desenhos animados, de tudo.

Pinheads logo

Graças ao Pinheads vi uma porrada de bandas legais da geração 90 do punk nacional. IML, No Class, Beach Lizards, Dreadfull, Dead Fish, PinUps, Barneys. Isso sem falar das bandas daqui, como No Milk Today, Cervejas, Ex Lax e os não menos excelentes Slack Nipples. Os shows dos caras no Aeroanta eram antológicos. Mil pessoas, talvez mais. Um underground realmente forte. Acho que ninguém se dava conta do quanto. As bandas eram diferentes entre si, cada uma com um som bem característico. Pra mim, o Pinheads era a melhor da época.

O furor continuou com a demo Hand In Head, produção do João Gordo. As letras eram muitas vezes escapistas e ramônicas, outras mais sérias e pessoais, algumas love songs, sempre bem humoradas, nunca engraçadinhas. Mais shows inesquecíveis, como a abertura para o Toy Dolls, com punks “anarquistas” cuspindo nos caras até rolar um cover de uma banda sueca pra lá de underground, essa sim, realmente “truth”.

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Arquivado em 1996

Relato do Fabian – Parte Dois

Um pouco depois lembro de falar com o Júlio sobre a coletânea Flying Music. E esperar. O disco nunca saía. Se não me engano achei na Galeria do Rock em São Paulo, mas isso só aconteceu depois do Confusion tocar com o Pinheads e o Skuba no Aeroanta – nosso primeiro de muitos shows na casa e também o primeiro show da carreira do combo ska do Paulo e do Mauricião. Acho que a demora pra sair o CD, somado com o cansaço natural de quem estuda, trabalha e toca numa banda fez os caras pararem. Aliás, até hoje não entendo porque o Pinheads parou definitivamente naquela época, ao invés de dar um tempo e voltar depois com fôlego renovado.

Oh well. O fato é que, no fim de 96, minha banda nacional favorita dos últimos 2 anos tinha acabado. Foi realmente uma pena, mas nessa época eu estava bastante ocupado com o Confusion, que de certa forma preencheu a lacuna do Pinheads na cidade durante algum tempo. Pegamos parte dos fãs dos caras, especialmente os mais novos, eu acho.

Acabamos ficando amigos, especialmente do Júlio. Com ele, fizemos uma música para o nosso primeiro disco, ajudamos o cara no começo da Barulho. E através dele, eu finalmente consegui uma cópia do compacto For Fun, impossível de achar nas lojas. No Brasil, o Garage Fuzz pegou o título de “minha banda nacional favorita” a partir de 97 e continua sendo até hoje, junto com Sepultura e Los Hermanos.

Em 99, quando trabalhava com o Mauricião na Estação Primeira, ele pensou na possibilidade de produzir um tributo. É claro que o Júlio adorou a idéia. Sei lá porque motivo, os dois aceitaram e decidiram que eu ficaria responsável pelo projeto. Talvez por ser um cara um pouco mais distante, não tão ligado à banda quanto eles. Foi muito divertido entrar em contato com todas aquelas bandas, tanto da época que o Pinheads começou como Muzzarelas e Reffer, até as mais novas como Sugar Kane e Wacky Kids. Todo mundo ficou muito empolgado por ter a chance de gravar as grandes (e rápidas) canções dos pinrédis.

De tempos em tempos, vou até minha coleção e pego algum dos registros deixados pelo Pinheads. Como toda boa música, aquelas canções me levam diretamente para o período que as ouvi pela primeira vez. Mas simultaneamente, escuto algo inteiramente novo, que nunca tinha ouvido antes. Sempre bom. Sempre divertido”.

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Arquivado em 1996