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For Fun – 7 polegadas – 1993

Mil novecentos e noventa e três não foi um ano ruim. Não mesmo! Ruim era a qualidade de gravação de uma fita cassete com um ensaio com algumas músicas dessa primeira fase dos PINHEADS. Fita essa que caiu nas mãos de JR. Ferreira. Júlio freqüentava o 92 Degrees (bar de propriedade de JR.) e entregou a gravação para o dono do local. Ele gostou de California e comentou sobre o projeto que tinha para gravar compactos 7 polegadas com bandas locais.

Enquanto Júlio analisava a proposta do produtor, Dudu estava na praia curtindo sua “careca máquina dois” após ser aprovado no vestibular de Odontologia. Paulo foi visitar seu amigo baterista que não queria voltar da praia para ensaiar. Na praia, Dudu mostrou para Paulo “novos sons” que o amigo Mendes (inspirador da letra de California) tinha lhe gravado.

A fita cassete tinha o álbum auto-intitulado do Pennywise num lado, e metade do NOFX Ribbed no outro. Dudu sabia que os seus companheiros de banda também iriam ficar impressionados com essas duas novidades. E foi o que aconteceu! Aquela fita foi o tempero final para ferver o caldeirão de influências do trio! Paulo voltou para Curitiba com a fita Pennywise/NOFX e com duas letras que Dudu tinha composto na praia: Plutoflipper’s Land e Won´t Change For Good.

Quando Dudu voltou para Curitiba, Paulo e um inspirado Júlio já tinham idéias de músicas novas e queriam insistentemente participar do ambicioso projeto do JR. Com alguns ensaios, se constatou que as novas músicas eram muito boas: diretas, objetivas e bem acabadas. Com pequenas alterações, as letras de Dudu se encaixaram perfeitamente. Paulo ainda escreveu na íntegra Digital Thoughts.

O custo era honesto e assim aceitaram o desafio: gravariam um compacto em vinil! A expectativa era grande, afinal, entrariam num estúdio de gravação pela primeira vez. A desconfiança em relação ao projeto não era pequena, assim como a insegurança e a inexperiência. Era hora de ensaiar exaustivamente as músicas selecionadas. As três músicas novas, ultra-rápidas, foram escolhidas, assim como as mais velozes da primeira demo.

PINHEADS foi uma das últimas bandas do projeto à entrar no estúdio. Os produtores já sabiam o que podiam extrair daquelas bandas novatas e também sabiam de suas inúmeras limitações. A noite de gravação no estúdio Solo, sob a batuta de Victor França e produção de JR. Ferreira, se deu sem maiores problemas.

A banda estava afiada e sabia o que queria. As músicas da demo (Psycho Zone, Death Is Not The End e California) apareceram mais aceleradas. Won’t Change For Good, Digital Thoughts e Plutoflipper’s Land vislumbravam a futura sonoridade do trio. Todas as faixas receberam backing vocals de Paulo e Oohs and Aahs de Júlio e Paulo. JR. também participou fazendo La-La-Las em Won’t Change For Good.

"Mini release" com a capa do compacto e um breve texto

"Mini release" com a capa do compacto e um breve texto

Júlio ficaria responsável pelo conceito gráfico e a arte deveria ser entregue logo. Em poucos dias, o guitarrista chegou com tudo pronto: desenhos, recortes, título etc. Dudu e Paulo gostaram do trabalho, mesmo sendo muito parecido com a capa do álbum No Control, do Bad Religion.

Mas Dude lembrou de outros álbuns que adorava e que também tinham capas semelhantes à idéia de Júlio: Angelic Upstarts, No Reason Why?; D.O.A., The Dawning of a New Error; e Fugazi, Repeater. Assim, ficou tudo como Júlio tinha elaborado. Na contra capa, o nome da banda, o nome das músicas, o selo Bloody/92 Degrees e desenhos com a formação (Drums: Eduardo Munhoz; Guitarre: Julio Linhares; Bass/Vocals: Paulo Kotze).

Contra capa. Arte por Júlio

Contra capa. Arte por Júlio

Dudu e Paulo trataram de elaborar algo para ser encartado ao compacto. Fizeram mil cópias xerocadas em papel preto e branco com as letras, quinhentos “mini-releases” e uns duzentos adesivos caseiros feitos com papel contact.

As seis letras no encarte caseiro do compacto

As seis letras no encarte caseiro do compacto

O release trazia telefone, endereço e um breve texto: “Júlio (guitarra, back vocals), Dude (bateria) e Paulo (baixo e vocal) formam os PINHEADS. Com um público fiel e heterogêneo, a banda possui mais de vinte músicas, influenciadas pelo Punk Rock (Ramones, Buzzcocks) e principalmente pelo Hardcore americano (Bad Religion, NOFX, Circle Jerks, Agent Orange). Com as seis primeiras músicas do seu primeiro compacto (Pinheads For Fun), gravado pelo selo “Bloody”, os PINHEADS apresentam um som único, original; um hardcore melódico, irreverente, FOR FUN”.

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The Kids are Alright

A espera pelo material era grande. Para diminuir a ansiedade, shows e músicas novas! Enquanto não chegavam os compactos, fizeram quase dez novas músicas e uns cinco shows pela cidade. Na tarde de um domingo (28/03), ao lado do Hellsaints (com membros do Abaixo de Deus e Paincult) fizeram um show ao ar livre na calçada do Tuca´s Bar (com Cassiano Magog cantando o cover da noite: Orgasm Addict, dos Buzzcocks). Outro show foi para dez gatos pingados, quando pela primeira vez tocaram no 92 Graus, abrindo para a banda July et Joe.

Cabelo bola na calçada do Tuca´s Bar

Paulo (cabelo bola) e Júlio no Tuca´s

Foi num domingo, dia 16 de maio de 93, que o PINHEADS começou a ter um público mais numeroso. Abriram para os “veteranos” Missionários, em um 92 Graus quase lotado. Estavam com um set list equilibradíssimo e com o público na mão! A platéia era formada por amigos e pela turma que gostava de punk rock em Curitiba.

Recorte do jornal Gazeta do Povo

Recorte do jornal Gazeta do Povo

Meses depois, no final de julho, o material chegou! Disquinhos de vinil em caixas de papelão de um lado. Capas desmontadas de outro. Seiscentas cópias ficaram para o selo Bloody e as quatrocentas restantes para a banda. Passaram horas e horas na casa do Júlio, ouvindo o compacto ininterruptamente, enquanto dobravam e colavam as capas uma por uma.

Alguns discos eram vendidos por preços módicos. A maioria era cortesia para divulgar o trabalho. Outras cópias certeiras estavam separadas para divulgação via Correios do Brasil. Estavam acostumados a enviar/receber coisas pelos correios. Tinham o hábito de receber em casa, pacotes com fanzines, adesivos, camisetas, discos e fitas cassete.

O circo estava armado. Tinham um compacto, uma demo, camiseta, “adesivo de papel contact” e poucos e bons admiradores. O Caderno G da Gazeta do Povo escreveu: “FOR FUN EP – PINHEADS (Bloody): É impressionante como os caras conseguem uma precisão que arrasa qualquer ouvido. Inspirado na turma do punk californiano do melody hardcore – e isso fica mais que explícito na ode California – o trio manda em doze minutos seis bombas atômicas. Won´t Change For Good tem um ótimo punch, as letras carregam estruturas melódicas de três décadas atrás e o vocalista/baixista Paule, mesmo não tendo voz muito adequada, não deixa a bola cair”.

Adesivo de papel contact !!

Adesivo de papel contact !!

Houve um show de divulgação dos compactos, no qual o produtor Carlos Eduardo Miranda elogiou a música nova I´m Not a Nerd e o cover The Kids Are Alright do The Who. Na semana seguinte, no Berlim (porão do Bar do Hermes), tocaram junto com C.M.U. Down e Vupland, dia 31 de julho, o “mais frio da história de Curitiba”.

Neste show, o Rodrigo da marca Hocka Hey! ajudou na confecção de camisetas com o desenho da capa do compacto. As 15 camisetas foram vendidas rapidinho. Mais música nova e o cover da noite, American Jesus, foi bisonhamente cantado pelo amigo Zé Laporte.

A amizade do trio com os aniversariantes da noite, Mauricio Singer e Slash, foi se intensificando. Dudu apelidou Singer de Mauricião (pois já existia Mauricio Gaudêncio na turma). Mauricião tinha um programa na rádio Estação Primeira (Estação Laser) e foi o primeiro a tocar Nirvana nas ondas radiofônicas sulamericanas. O cabeludo Mauricião estudava com o ex-pinhead Hiro, na FAE, e começou a freqüentar os ensaios do trio. Em pouco tempo, era companhia inseparável dos PINHEADS. Se auto-intitulava o quarto integrante da banda. Não colaborava nas composições de novas músicas e letras, porém, ajudava o trio em tudo que fosse necessário.

Pinheads 31_de_Julho_93

JR. Ferreira com o seu 92 Graus, e com o lançamento de compactos de 13 bandas independentes, foi um grande incentivador da história do rock curitibano! A programação do 92 era intensa, sempre trazendo bandas de outros estados. A revista Bizz e quase todos os grandes jornais diziam que Curitiba era a Seattle brasileira. Quase sempre marcando presença nos shows do 92 Graus, os três Pinheads tratavam de entregar o seu compacto para as bandas que gostavam. Dessa forma, ficaram amigos dos cariocas do Beach Lizards e de muitos outros grupos.

Adesivo de papel contact - arte por Júlio

Adesivo de papel contact - arte por Júlio

Em um sábado, no meio de junho, estava agendado um show dos paulistanos Pin Ups. Dudu resolveu visitar o 92 Graus na passagem de som dos Pin Ups, à tarde. Entregou um compacto para o guitarrista e gente fina Luiz Antonio Algodoal, outro para a baixista Alê (que na época namorava João Gordo, dos Ratos de Porão) e outro para o roadie da banda.

Dudu sabia que o Farofa, roadie dos Pin Ups, era vocalista de duas bandas de Santos: Garage Fuzz (o Neri tinha uma demo do GF) e Safari Hamburguers. Dudu tinha o vinil que o Safari havia recém-lançado pela gravadora Cogumelo e tratou de entregar um compacto para o rapaz. De noite, chegou ao 92 e observou uma turma conversando. A roda era composta por um sociável Paulo Kotze, mais o publicitário Neri e a baixista Alê (que acabara de colocar um adesivo caseiro dos PINHEADS no seu contra-baixo, mesmo alertando que não tinha gostado da letra de California). Alê disse que havia gostado do compacto e que tentaria agilizar um show dos PINHEADS na capital paulista.

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Lotação máxima no 92 Graus

Animados e afiados, o trio se preparava para mais um show no 92 Graus, que promovia o Segundo National Garage. Desta vez, num sábado com uma banda paulistana chamada CUASZ. Dudu não entendeu porque JR colocou PINHEADS para abrir show de uma banda com som tão diferente, e ligou para o dono do 92 para saber o que precisava levar de equipamentos de bateria.

Pinheds Flyer_0808_93

JR informou Dudu que a banda CUASZ não viria mais e que estava pensando em colocar uma banda local (Garotos Chineses) para fechar o show. Dudu disse para JR deixar apenas PINHEADS na programação, pois naquela noite o show iria bombar e uma galera ansiosa marcaria presença para ver o trio. Como única banda da noite, fizeram uma boa passagem de som, colocaram uma faixa com o nome da banda atrás do palco e fixaram pedestais, microfones e pedais com silver tape.

A fita adesiva prateada ajudava a manter fixos os equipamentos precários da banda, e também auxiliava quando a platéia subia no palco. Provavelmente, esse show no 92 (dia oito de agosto de 93) tenha sido o mais legal dos PINHEADS! O local estava lotadíssimo, com todos os amigos (e algumas amigas) marcando presença. Começaram com aquela que seria a música de abertura dali pra frente: Oh Ja!.

"... remember the show is for you!!!"

"... remember the show is for you!!!"

Dudu estreava um pedal duplo e sorria ao ver amigos suados pogando e cantando junto. Vibrava, internamente, ao ver Júlio pulando como louco, para depois beber água no seu squeeze fixado (com silver tape) no pedestal do microfone. Sorria também ao ver “o seu baixista e vocalista” se desdobrando. Paulo cantava, tocava, pulava… tudo isso sem camiseta, mostrando um porte atlético a la Olga dos Toy Dolls. O único ponto negativo da noite foi o insano stage dive protagonizado pelo amigo Marcelo Mendes. Resultado: traumatismo craniano.

Recorte da sessão Acordes da Gazeta do Povo

Recorte da sessão Acordes da Gazeta do Povo

Paulo dormiu mal naquela noite, o jorro de adrenalina foi intenso. Tratou de eternizar aquela noite memorável fazendo a letra de uma música nova chamada No Public, No Show!:

“Dude, You can shout the first 1-2-3-4 Oh Ja! People just have fun/ Everyone´s jumping and stage diving, the mikes are on the floor/ Astonished girls are just looking from far. Sometimes they don´t know what they´re doing here/ Rescue the amplifiers, if you don´t want them in the air!!!/ We don´t want the statue of freedom just looking at us fixed at the ground/ Move yourself get the mike, sing with us this chorus/ Jump, shout, hang on, come up here to the stage, break everything we like your way/ Remember without you this place wouldn´t be agitated, keep the energy in the air!!/ Everybody knows each other, meet your friend at the pity, if you want trouble and fight, get away from this slam/ Forget now about your problems, you came here for distraction. You´re part of our family, remember the show is for you!!!!!”

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Riot Squad

Semanas após o contato com o pessoal do Pin Ups, Paulo recebeu uma ligação telefônica da baixista Alê convidando para que abrissem o show de lançamento do novo álbum dos Pin Ups (Scrabby!), no Aeroanta de São Paulo! Outro detalhe deixou os PINHEADS ainda mais ansiosos: poderiam descansar o esqueleto após o show, no apartamento do João Gordo!

Gaudêncio, Júlio, João, Paulo e Dudu - 1993

Gaudêncio, Júlio, João, Paulo e Dudu - 1993

O primeiro show fora de Curitiba seria um batizado e tanto. Aeroanta de São Paulo abrindo para Gangrena Gasosa e Pin Ups (22 de agosto de 1993). Dudu iria tocar no mesmo palco no qual Jello Biafra estava um ano antes. O show foi legal. O bom público, conforme o esperado, não agitou como em Curitiba, mas a recepção foi boa. O som estava ótimo e recebiam aplausos após cada música. A educadíssima Alê já tinha pago o dinheiro das passagens e ainda deu um trocado simbólico para os PINHEADS (foi a única remuneração em show fora de Curitiba).

Dudu, Paulo e Júlio - Flyer do primeiro show fora de Curitiba.

Dudu, Paulo e Júlio - Cartaz do primeiro show fora de Curitiba.

Mais importante que o show foram os contatos. Primo Renato (juntamente com Renatinho, Mendes e Gaudêncio) acompanhou o trio nessa viagem e disse para Dudu entregar o compacto para uma dupla que prestava atenção à apresentação dos Pin Ups. Eram Carlos Dias e André, integrantes do Tube Screamers.

Pinheads Aeroanta_SP

Após o show, dormiram (juntamente com mais umas 10 pessoas) na sala do apartamento do João Gordo. João contou para os interessadíssimos curitibanos suas experiências em solo europeu cantando nos Ratos de Porão ou assistindo shows de bandas como Oi Polloi.

Gordo aproveitou para gravar um cd ao vivo do D.I. que a trupe curitibana tinha recém adquirido na Galeria do Rock. Em troca, liberou sua cedeteca para que fitas cassete fossem preenchidas com o supra-sumo do punk inglês. Dudu passou a noite em claro gravando Lurkers, The Boys, Rezillos, Adicts… enquanto isso, um integrante do Gangrena Gasosa copiava uma advanced tape (ainda não masterizada) com o futuro álbum do Sepultura (Chaos A.D.).

João Gordo também mostrou a gravação da coletânea que estava produzindo com as bandas I.M.L., Muzzarelas, Lethal Charge, No Violence e Kangaroos in Tilt. O final de semana tinha sido realmente agitado, pois no dia anterior foram ao lendário Der Temple assistir a um show do Safari Hamburguers.

Os PINHEADS foram à São Paulo pelo rock, para fazer show, para ver outros shows, pelo intercâmbio, para comprar novos álbuns. Eram bitolados em punk rock, e lamentavam o fato de alguns roqueiros locais e donos de loja de disco de Curitiba, irem à cidade em outubro de 93 para ver a turnê Dangerous do decadente Michael Jackson.

Roubada! Cancelado!

Roubada! Cancelado!

Uma apresentação no litoral paranaense foi agendada. Missionários, PINHEADS e um grupo chamado Bloqueio Mental se apresentariam no Riviera’s Snooker Bar, na praça central de Guaratuba. Com o cartaz pronto, o show foi cancelado dias antes.

Pinheads Flyer_Ghandja

Era hora de tocar e fazer mais música nova. Na noite de 18 de setembro, tocaram no Ghandja Bar (antigo Hell), ao lado dos Cervejas. A presença e reação do público continuavam excelente. Diversão para todos os lados. Nenhum cover no set list de 18 músicas.

Oh Ja abrindo, Plutoflipper´s fechando

Oh Ja abrindo, Plutoflipper´s fechando

O primeiro show no interior do Paraná foi em Apucarana, dia 25 de setembro. Tocaram numa boate chamada Kogumellu’s, numa festa de campeonato de skate. Lá conheceram os “punks” locais João Cabeção e Max Leean. Antes de andar de skate, no calçadão da cidade, visitaram a rádio local (Cultura 94.5 FM) para divulgar o show e falar uns palavrões leves ao vivo, para desespero do locutor de plantão.

Recorte do jornal Tribuna do Norte

Recorte do jornal Tribuna do Norte

A marca de surf wear Cruel Maniac ofereceu apoio para fazer as camisetas da banda e também forneceriam roupas para o trio. Sem pensar muito, aceitaram. Qualquer ajuda era bem vinda. Chegava a hora de tocar num lugar maior, e num domingo (24/10/93) agendaram um show no Syndicate. Era um espaço enorme, para mil pessoas, com uma boa área de street skate na entrada.

PINHEADS tocou pela primeira vez Forget The Problems e o cover da vez foi Living For Today, do Pennywise, ao lado de American Jesus. O número de pessoas era grande e os seguranças começaram a tratar com violência àquelas pessoas que subiam ao palco, ou que pogavam com mais energia. PINHEADS lançava um petardo atrás do outro, provocando o frenesi saudável da moçada.

Paulo dando aquela força para Dudu - Syndicate 1993

Paulo dando aquela força para Dudu

Porém, o dono do local e os seguranças estavam numa vibração completamente oposta à dos roqueiros de cima ou de baixo do palco. Na sexta música (I Don´t Know Why) , do extenso set-list, os seguranças Pelé e Fabião (famosos lutadores de Vale-Tudo) empurraram com covardia o Serginho (irmão do Júlio) de cima do palco.

Foi o estopim para que os abusados Paulo e Júlio atacassem verbalmente os seguranças. O insano público se sentiu protegido, enquanto mais alguns compactos e camisetas dos Pinheads eram adquiridas por preços honestos. Na saída do palco, o clima ficou ruim. Será que os seguranças iriam tomar satisfações e partir para um não amistoso acerto de contas?

Vários rostos familiares em um pogo histórico no Syndicate

Vários rostos familiares em um pogo histórico no Syndicate

Nada aconteceu, felizmente. Paulo comenta a confusão:

“O Fabião era o maior batedor de Curitiba na época, campeão de chute boxe e o caralho a quatro. A fama de brutamontes do cara era enorme, apesar do fato de ele ter sido lobinho comigo no grupo escoteiro Tapejara, perto do Parque Barigui, nos anos 80. Escoteiros à parte, o cara realmente era muito grande e temido. No auge do stress do show do Syndicate, eu e o Júlio começamos a xingar os seguranças que estavam dando porrada na galera mais agitada do pogo. Desci a boca nos caras, e de repente senti um puxão na minha bermuda da Company, multicolorida, desejo de consumo de qualquer surfista no final dos anos 80.

Após arrebentar a minha bermuda, olho para ver quem puxou e vejo o tal Fabião que estava prestes a arrebentar minha cara. Chamei o cara (dá pra ouvir isso na gravação daquele show) meio que respeitando, pois ele estava junto com os seguranças. Na real, após o show, o cara acho que cansou de nos perseguir e foi buscar uma briga mais equilibrada pra ele naquela noite, pois, se quisesse, ia nos massacrar”.

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Final de 1993

Enquanto a poeira baixava, show em Londrina no Gran Mausoleo, dia 06 de novembro. A escalação de uma banda de rap com duas de hardcore dava a pista de que o público era meio skate. Tocaram ao lado dos rappers do Projeto Niggaz e levaram a tira colo os amigos do Slack Nipples. A nova banda do Renato, do Jack, do Tibério e do Gaudêncio tocava muito bem. Tinha uma boa aparelhagem, um belo repertório de músicas próprias e aquela velocidade e melodia a la NOFX e Dickies soava perfeita! Foi o primeiro show do Slack Nipples.

Pinheads em Londrina

João Gordo pediu para os produtores incluírem PINHEADS num show que aconteceria no Coliseu, em Curitiba, dia 12 de novembro. Iriam abrir o show dos Ratos de Porão, antes do black metal do grupo Infernal (curiosamente, que ensaiava na mesma Rua Vital Brasil, no bairro Vila Izabel, onde ficava a casa do Dudu, local de ensaios do PINHEADS).

O show no Coliseu acabou não acontecendo, pois o local não tinha alvará. Metaleiros revoltados apedrejaram o local após a notícia de cancelamento. Como o nome PINHEADS não estava no cartaz (pois tinham sido incluídos na última hora) o cancelamento não teve nenhuma conseqüência maior.

Recorte do jornal Folha de Londrina

Recorte do jornal Folha de Londrina

Promovido pela Cruel Maniac, o primeiro A Chacina (14/11/93) foi realizado em Pontal do Sul, ao lado da mini-ramp da avenida principal. Gratuito, sucesso de público, com as bandas Intruders, Paincult e Resist Control. Foi a única vez no litoral paranaense. Paulo gostou de tocar para os seus amigos nativos de Shangri-La. Dudu gostou de ver Maguila, Franco e outros skatistas da Maha no meio do público. Mas os PINHEADS não se sentiam muito confortáveis naquele tipo de evento, no qual o deslumbrado DJ deixava tocando o cd do Pennywise Unknown Road no repeat ad infinitum.

O brilhante ano de 1993 encerrou com a segunda edição do festival BIG. Desta vez, os PINHEADS tocaram ao lado dos amigos do Beach Lizards, no mesmo dia em que foi ao ar o primeiro Hardcore: programa semanal na rádio Estação Primeira, apresentado e produzido pelo grande amigo Mauricião (e co-produzido pelos PINHEADS, principalmente Paulo).

O show deveria ocorrer no Coliseu, mas acabou se realizando no 92 mesmo. A escalação da noite de sábado, 11 de dezembro era: C.M.U. Down, Pinheads, Motorcycle Mamma, Beach Lizards e Garage Fuzz. Este último acabou não vindo, assim como os Raimundos não vieram uma semana depois, quando estavam escalados para o show de encerramento do BIG.

92 lotado, final de 93

92 lotado, final de 93

Na eleição Melhores de 93 da seção Acordes, do caderno de cultura da Gazeta do Povo, Abonico Rycardo Smith, escreveu:

“Quem viu apenas um dos muitos shows deles no ano passado não tem dúvida: deu Pinheads na cabeça. Júlio, Paulo e Duda levam o público ao limite da animalidade seguindo a velha (mas completamente funcional) fórmula do punk angeleno: músicas curtas, rapidez, três ou quatro acordes, excelentes melodias e letras curtas e grossas. O hipnotismo é tanto que já virou comum haver gente mergulhando na platéia de quase cinco metros de altura (uns, inclusive, chegaram a usar muletas dias depois). Não bastasse arrebentar ao vivo, os caras ainda são os responsáveis pela maior vendagem do ano entre os discos produzidos por aqui. Por isso, com toda razão, os cabeças de alfinete paparam fácil as categorias banda, disco, música e show, além de…”.

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