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Stupid Brains – Julho de 1992

Algumas coisas foram se solidificando no primeiro semestre de 1992: seriam um trio, o nome ficaria PINHEADS mesmo e os ensaios seriam na casa do Dudu. Já tinham um extenso set list, cada vez mais bem ensaiado e equilibrado. Bad Religion e Ramones eram as bandas preferidas do trio no momento e delas vinham a maioria dos covers. Paulo aprendeu a tocar contra-baixo sozinho e conseguia cantar e tocar sem muitos problemas. O rapaz já era metade da banda e estava empolgado!!!

Pinheads BronxApresentações em casa de amigos, em festas da turma de arquitetura do Júlio e no DANC (Diretório Acadêmico de Medicina da UFPR, curso no qual Paulo era calouro) faziam com que o trio fosse se acostumando a tocar ao vivo e traziam alguns amigos freqüentadores nos shows. No dia 21 de março de 92, foram convidados para abrir um show para a Hallucination Band (Hoodoo Gurus Cover) no Bronx (no Largo da Ordem) executando apenas músicas dos Ramones.

O set list base era o álbum ao vivo Locolive com o adicional de algumas canções menos óbvias, como We Want The Airwaves, I´m Affected, Palisades Park e Outsider. Tocaram cerca de 33 músicas em 90 minutos, com poucos erros e muita energia. Muitos amigos na platéia. No pogo, destaque para o amigo Tibério, que ostentava um invejável rasgo nos joelhos de sua calça jeans. Público, banda e casa de show ficaram satisfeitos, mas era hora de começar a fazer música própria.

Primeiros meses

Primeiros meses

A vontade de compor as suas próprias músicas veio naturalmente. Afinal, três adolescentes na faixa dos 17 anos se levam meio a sério e têm a necessidade de escrever alguma coisa além de pichação com o nome da sua banda em muros do centro da cidade. Paulo deu o ponta-pé inicial e veio com letra e música pronta. A letra anti-políticos e o punk rock 3 acordes de Stupid Brains foi a primeira música dos PINHEADS.

“The world in which we live is similar to hell/ we can´t walk down the streets the risk is everywhere/ you could ask who is guilty of the situation we´re in/ the answer is still clear the minority we voted for

They don´t care about you! Uh, uh, uh! They don´t care about the truth! Uh, uh, uh! Only care about theirs minds! Uh, uh, uh! All they want is more!

Corruption, desperation, hunger, death and poverty/ People don´t do anything to change this situation/ They burn billions of trees to become a little richer/ The answer is still clear the minority we voted for”

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Arquivado em 1992

O punk rock básico e o espírito hardcore

Todos os sábados ensaiavam na churrasqueira da casa do Dudu. Sempre surgia uma composição nova. Geralmente com Paulo e Júlio fazendo música e Paulo fazendo também as letras. Nessa leva vieram The Basic Rock, I Need You Tonight, Plastic Women e Nervous Days.

As músicas eram muito parecidas: todas tinham oooh’s and aaah’s nos backing vocals, as estruturas eram quatro por quatro. E baseadas naquela velha fórmula: estrofe, refrão, estrofe, refrão, ponte, refrão. Quanto às letras, a reclamação era geral.

Plastic Women alfinetava a mulherada: “Nowadays there are no organic women anymore/ Most of them are made of plastic/ They have more than one face, they don´t play fair/ They´re not made of meat and bones anymore…”. Nervous Days lamentava a rotina e tinha paciência com algum metaleiro no bar predileto: “…on Saturdays I go out, let´s drink some beer in China´s Bar/ I hear some headbangers saying that the punk rock is dead, I didn´t wanna fight…”.

Letra e música por Júlio e Paulo

Letra e música por Júlio e Paulo

Eles gostavam tanto de música que escreviam letras sobre música. Principalmente sobre como a espontaneidade e a simplicidade podiam lhes emocionar. As assobiáveis The Basic Rock e The Music´s ok tinham uma ingenuidade até meio irritante, mas cativavam pelo óbvio.

Letra inspirada na frase "the music´s ok when there´s more ideas than solos" de Jello Biafra

Letra inspirada na frase "the music´s ok when there´s more ideas than solos" de Jello Biafra

Dudu começava a rabiscar alguma coisa (já tinha escrito o refrão de Music´s ok de frase extraída de Chickenshit Conformist, dos Dead Kennedys). Inspirado na música Clean-cut American Kid, do grupo de skate rock californiano Ill Repute, escreveu a letra de Many-Side-Lad. Paulo gostou tanto que nem deu a chance e “coragem” para Dudu alertar que Many-Side-Lad continha algumas frases chupadas da música Clean-cut American Kid. Dudu prometeu para si mesmo que não mais roubaria idéias de suas bandas favoritas em suas futuras letras.

Meses antes, mais precisamente no mês de maio daquele ano de 1992, Dudu (juntamente com seu amigo Renato Robert) presenciou Jello Biafra em ação, no Aeroanta, de São Paulo. O vocalista dos Dead Kennedys esteve presente na festa de lançamento do livro Barulho (de André Barcinski), e deu uma canja ao lado dos caras do Sepultura e do Ratos de Porão. Dudu ficou impressionado!

Jello tinha uma presença de palco hipnotizante. Se jogava na platéia, discursava contra a ECO-92 e mandava balas como Holiday in Camboja, Drug Me e Bad (do Nomeansno). Dudu estava satisfeito com as sete primeiras composições dos PINHEADS, mas ficava meio perturbado e entediado, pois as músicas eram muito parecidas, tanto no ritmo, quanto nas estruturas. O baterista queria tocar hardcore também!

As próximas músicas dos PINHEADS teriam que ser mais rápidas. Júlio e, principalmente, Paulo, presentearam Dudu com três novas canções, que tinham partes rápidas: California, Death Is Not The End e Psycho Zone. O nunca 100% satisfeito baterista criticou Paulo pela letra de California; mas como tinha gostado bastante das novas músicas, deixou que ficasse por isso mesmo.

Na história dos PINHEADS, Dudu e, especialmente, Júlio, ajudaram bastante nas composições. Mas mesmo que Dudu escrevesse uma letra impecável, ou que Júlio compusesse uma música perfeita, Paulo estaria presente nos créditos. Paulo era, no mínimo, metade da banda. Era ele quem colocava harmonia nos vocais e, se fosse necessário, alterava um pouco a letra ou a música. Além disso, Paulo tinha créditos sobrando, afinal, era o principal compositor e o mais talentoso dos PINHEADS.

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Arquivado em 1992

Primeira demo

Pequenas divergências apareciam, mas a amizade e a espontaneidade falavam mais alto. Era hora de registrar aquelas faixas e pela primeira vez entraram em um estúdio de ensaios. O estúdio era tosco, os “tocadores” totalmente inexperientes e ansiosos, alguns instrumentos eram emprestados, o tempo e a grana eram curtos.

Gravaram tudo ao vivo e em três horas. O saldo da gravação deste ensaio foi positivo e as conclusões nem tanto: as músicas mereciam um melhor acabamento. Dudu não era criativo no pé direito e errava diversas vezes no tempo e no ritmo. Paulo podia melhorar nos vocais, e Júlio devia se esmeirar mais nos solos e nos backing vocals.

O registro acabou sendo a primeira demo-tape e se auto-intitulava PINHEADS. Dez músicas próprias foram gravadas: Plastic Women, California, Stupid Brains, Nervous Days, The Basic Rock, I Need You Tonight, Death Is Not The End, The Music´s Ok, Psycho Zone e Many-Side-Lad.

Para aproveitar o tempo de sobra de estúdio, gravaram ainda dois covers: Bloodstains (do Agent Orange) e Havana Affair (dos Ramones). A capa preta e branca cheia de recortes (elaborada por Júlio e Paulo) trazia o nome das músicas, a formação (Paulo “Dada”: Bass/Vocals, Júlio “Fluidman”: Guitars/Oozin, Dude: Drums/Hardcore Spirit), e os agradecimentos (China’s Bar, Maurício Gaudêncio, Tibério, Cuca da Rádio Recreio, Tio Zeca, Daniel & Wart Hog, Alceste, Piupa, Renato, Trajano & Barbapapas, Hiro Boy, Gil, Fabiano, Juliano & Silly Bones, Joás e Joel Caverna). Agradecimentos também ao Rodrigo Meister, ao Serginho e ao Renato Punk por terem feito claps em Many-Side-Lad. Ainda agradeceram (!!?!!): Ramones, Bad Religion, Agent Orange, Buzzcocks, Cock Sparrer, T.S.O.L., Dead Kennedys e o 60’s Rock’n’Roll.

Capa da primeira demo "Pinheads"

Capa da primeira demo: "Pinheads"

Cada pinhead distribuiu a demo para o seu grupo de amigos. Depois de cinco meses, este era o registro inaugural: mal gravado, tosco, caseiro, com muitos erros… mas era o que de melhor eles poderiam fazer naquele momento.

Com a demo-tape, conseguiram espaço para tocar no Curitiba Rock Festival, evento que ocorria paralelamente ao primeiro BIG (Festival de Bandas Independentes de Garagem). No bar Hangar, tocaram as dez músicas próprias da demo mais o cover do Agent Orange e Censorshit dos Ramones.

No caderno de cultura da Gazeta do Povo, o colunista Abonico Rycardo Smith escreveu: “PINHEADS: Foi a banda que mais agitou a moçada no primeiro dia. Porradas certeiras para a felicidade da nação do pogo. Embora se pareça muito com as influências Ramones e Bad Religion – e os próprios componentes não fazem questão de esconder isso – os cabeças-de-prego têm muito futuro no underground”.

Pinheads Artigo 111

No final de 92, dois shows em ambiente universitário. O primeiro foi no Musicato: um festival de bandas organizado pelo pessoal da Engenharia Civil da UFPR. Num final de tarde ensolarado, os PINHEADS tocaram um monte de Ramones e umas músicas próprias.

Outro show interessante foi no nono andar da PUC ao lado dos Barbapapas, banda dos amigos Trajano e Jack. Os alunos da universidade (incluindo aí um militante Júlio Linhares), ocuparam um andar inteiro do prédio principal e lá acamparam. Num clima de companheirismo e manifestação política, o trio tocou apenas músicas próprias, enquanto que os Barbapapas empolgaram mais a galera executando covers de Ramones, Danzig e Sex Pistols.

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