Relato do Fabian – Parte Dois

Um pouco depois lembro de falar com o Júlio sobre a coletânea Flying Music. E esperar. O disco nunca saía. Se não me engano achei na Galeria do Rock em São Paulo, mas isso só aconteceu depois do Confusion tocar com o Pinheads e o Skuba no Aeroanta – nosso primeiro de muitos shows na casa e também o primeiro show da carreira do combo ska do Paulo e do Mauricião. Acho que a demora pra sair o CD, somado com o cansaço natural de quem estuda, trabalha e toca numa banda fez os caras pararem. Aliás, até hoje não entendo porque o Pinheads parou definitivamente naquela época, ao invés de dar um tempo e voltar depois com fôlego renovado.

Oh well. O fato é que, no fim de 96, minha banda nacional favorita dos últimos 2 anos tinha acabado. Foi realmente uma pena, mas nessa época eu estava bastante ocupado com o Confusion, que de certa forma preencheu a lacuna do Pinheads na cidade durante algum tempo. Pegamos parte dos fãs dos caras, especialmente os mais novos, eu acho.

Acabamos ficando amigos, especialmente do Júlio. Com ele, fizemos uma música para o nosso primeiro disco, ajudamos o cara no começo da Barulho. E através dele, eu finalmente consegui uma cópia do compacto For Fun, impossível de achar nas lojas. No Brasil, o Garage Fuzz pegou o título de “minha banda nacional favorita” a partir de 97 e continua sendo até hoje, junto com Sepultura e Los Hermanos.

Em 99, quando trabalhava com o Mauricião na Estação Primeira, ele pensou na possibilidade de produzir um tributo. É claro que o Júlio adorou a idéia. Sei lá porque motivo, os dois aceitaram e decidiram que eu ficaria responsável pelo projeto. Talvez por ser um cara um pouco mais distante, não tão ligado à banda quanto eles. Foi muito divertido entrar em contato com todas aquelas bandas, tanto da época que o Pinheads começou como Muzzarelas e Reffer, até as mais novas como Sugar Kane e Wacky Kids. Todo mundo ficou muito empolgado por ter a chance de gravar as grandes (e rápidas) canções dos pinrédis.

De tempos em tempos, vou até minha coleção e pego algum dos registros deixados pelo Pinheads. Como toda boa música, aquelas canções me levam diretamente para o período que as ouvi pela primeira vez. Mas simultaneamente, escuto algo inteiramente novo, que nunca tinha ouvido antes. Sempre bom. Sempre divertido”.

2 Comentários

Arquivado em 1996

2 Respostas para “Relato do Fabian – Parte Dois

  1. Francisco D. Netto

    Grato pelo blog, mantenho a minha coleção de fitas e com frequência ouço Pinheads para lembrar dos bons tempos, quando saía de sexta a domingo, com o vale transporte no bolso e voltava para casa feliz da vida e pronto para a próxima… Nesta época, noventa e pouco, meu interesse pela música despertava e vocês fizeram parte desta história.
    Eu procurava só saber porque acabou, o porquê da banda não dar mais certo, e se você quer saber meu caro, eu encontrei muito mais… descobri que acabou porque tudo que é bom dura pouco e quem diz que não deu certo é porque não estava lá para se divertir “For Fun”.

    Parabéns,
    Fco D. Netto

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