Apresentação

Hey amigos…

Em 2008, passei a escrever a história dos Pinheads. Tarefa que me ocupou durante um bom tempo do ano passado e que entrou em 2009, quando passei a digitalizar todo o material da banda, revisar, correr atrás de mais detalhes etc.

Até que, finalmente, parti para a última fase. No final do mês passado, com a ajuda do meu amigo André Pugliesi, comecei a publicar tudo em um blog. E apenas três semanas depois, informo que está no ar… PINHEADS: HISTORY LESSON 1989-1996.

Em números: 7 anos de punk rock/hardcore, 24 capítulos (na barra da direita, estão os 14 primeiros), 19 mil palavras, 93 mil caracteres, 121 imagens e 86 músicas para download.

O retrato de uma banda e de sua geração. Passagens comuns a todos os grupos independentes do início dos anos 90.

Uma homenagem ao Júlio, ao Paulo, à nossa amizade de 20 anos.

Resultado só possível com a ajuda de várias outras pessoas. Preciso agradecer à minha esposa Carolina (obrigado por todo o nosso amor e carinho), ao meu cunhado Holger, à minha amiga Rafa (Fluxi Design), ao Mauricio Gaudêncio, Tibério, Mauricio Singer, Luli, André Scheinkman, Magrão Sarnento, Fabian Confusion, Marcelo Viegas, Juliano Lima, Anderson e o André Pugliesi (Jornalista de Merda).

Espero que vocês acessem, leiam, divirtam-se e, claro, divulguem para o maior número de pessoas. Para mim, foi um prazer imenso reviver toda essa história, após quase 13 anos de nosso último show.

Forte abraço!

Dudu Munhoz, ex-baterista dos Pinheads.

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Rocket To Russia

Dudu, Paulo e Júlio se conheceram estudando no mesmo colégio, morando no mesmo bairro e tendo amigos em comum. Em uma fase da vida, na qual uma camiseta com o símbolo da banda favorita e um par de Mad Rats detonado nos pés podia moldar a sua personalidade e definir o seu grupo de amigos, os caboclos foram se aproximando, principalmente, pelas afinidades musicais.

Também tinham em comum o característico humor ácido do curitibano, e o apreço por esportes como basquete, judô, futebol e o estilo de vida do skate e do surf. A liberdade e a simplicidade da bicicleta também apetecia ao trio. Júlio a usava para dar aulas de judô, Paulo pedalava para chegar a tempo nas aulas de basquete e inglês, Dudu flanava pelas ruas da cidade com fone de walkman nos ouvidos.

Paulo Kotze tinha estudado violino e piano na infância. Quando entrou na adolescência, sua banda predileta era o The Police, mas sua discoteca básica era composta de tipos como Saxon, Twisted Sister e Bolshoi. Até que um dia ouviu Surfin’ Bird (versão dos Ramones) em um vídeo de surf e imediatamente adquiriu o terceiro álbum da banda, Rocket to Russia. O gosto pelo punk rock foi aumentando após ouvir Bare Faced Cheek, dos Toy Dolls.

Musicalmente, Júlio Linhares e Dudu Munhoz vinham da mesma escola. Começaram fuçando a discografia modesta de seus pais e logo se encantaram com o rock and roll dos anos 60. Posteriormente, descobriram outros gêneros musicais, até ficarem hipnotizados com um disco dos Ramones. Em lugares e épocas distintas, Júlio e Dudu, assim como Paulo, se apaixonaram por música após ouvirem Rocket To Russia.

Dudu e Júlio, além de adquirirem os poucos e bons lançamentos de punk rock em solo brasileiro, saíam do básico consumindo as fitas cassete da New Face Records (distribuidora paulistana que espalhava felicidade e raridade pelos correios do Brasil). Ali se aprofundaram nas preferências: o punk britânico e o hardcore americano.

Assim conheceram excelentes bandas de toda parte do globo. Em pouco tempo, bandas alemãs como Slime, Razzia e Vorkriegsjugend, perfilavam entre as favoritas ao lado de Toy Dolls, Ramones, Buzzcocks, Dead Kennedys, Cock Sparrer, 7 Seconds, G.B.H. e Black Flag.

No final dos anos 80, Dudu freqüentava os ensaios de uma banda chamada Necropsya, na qual seu primo Renato tocava baixo. Assim conheceu Júlio, um quatro-olho massudo que empunhava a guitarra do quarteto. A banda mudou de nome para Paincult.

Piupa, o baterista, estava sem instrumento naquela época e arquitetou com Júlio uma forma de deixar o drum kit no salão de festas do seu prédio. Assim, Júlio (3 anos mais velho que Dudu), marotamente convidou Dudu (que tinha uma bateria de fanfarra bizarra da marca Weril) para formar o The Rudinickyes.

Juntamente com Guinalda (outro primo da família Munhoz), formaram um trio que ensaiaria antes do “grupo principal” do Júlio. Apenas o atarracado guitarrista conhecia o rudimentar para tocar punk rock; mesmo assim faziam versões toscas de Circle Jerks, Ramones e Last Resort.

Músicas próprias? Apenas dois acordes ultra imaturos intitulados Catadores de Papel e Streeteiros de S.P.. O grupelho durou apenas durante o ano de 1989.  Dudu e Guinalda estavam mais interessados em eixos Tracker ou Independent, rodas Bullets ou Cross Bones, shapes Lifestyle ou Urgh! , Steve Caballero ou Christian Hosoi… resumindo: skate era quase tudo o que eles queriam fazer!

Paulo era amigo de bairro de Cassiano, o “do meio” de uma trinca na qual Júlio era o irmão mais velho. Júlio lembra que uma vez seu irmão chegou em casa apresentando um “pivete nerd com pinta de surfista” que queria “trocar uns sons”. Júlio já era conhecido por ser um dedicado colecionador de fitas e vinis de punk rock e Paulo se encantou ao observar quatro fitas dos Buzzcocks, uma ao lado da outra, milimetricamente acomodadas na estante do quarto do Júlio.

O pirralho não tinha muito material para enriquecer o arsenal do carrancudo Júlio, mesmo assim, uma nova amizade nascia e Paulo começou a acompanhar os shows e ensaios do Paincult. Paulo chamava a atenção por ser muito ativo, inquieto, elétrico e por saber cantar na íntegra e sem erros a letra de Faroeste Caboclo (Legião Urbana) e Endless Vacation, uma das músicas mais rápidas dos Ramones.

Dudu e Paulo se conheceram em 1990. Estudavam na mesma sala de aula. Certo dia, Dudu foi ao banheiro e Paulo espertamente resolveu seguir o mesmo destino. O que poderia ser um sinal de viadagem logo foi sepultado com a pergunta: “O que você tem do Ramones?”. A resposta de Dudu foi ao mesmo tempo rude e acolhedora: “Tenho tudo! Metade em vinil e o resto em fita cassete. Do que você precisa? Amanhã te trago…”. Dessa forma, iniciava outra amizade catalisada pelo rock.

Quando o Necrópsya virou Paincult, Júlio se sentiu um peixe fora d´agua. Não queria e não tinha as bases para tocar aquele som mais puxado para o metal. O estopim foi quando arquitetavam incluir um guitarrista cabeludo na banda. O hard rocker Alessandro dava mais importância à solos de guitarra de Steve Vai do que à fúria de Johnny Ramone ou Steve Diggle… sua presença nos ensaios provocou a pouco amistosa debandada de Júlio.

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Arquivado em 1989+1990

Festival Evolução

Só skate não bastava. Dudu também era apaixonado por punk rock. Desse jeito, ia formando grupos medonhos que numa semana se chamavam Pompons Coletivos e na outra Funny Rockers. Para sacar o nível da tosqueira, eram grupos que tinham músicas intituladas Gerson´s Law, por exemplo.

Seguindo essa linha, um desses grupos se chamava Die-Hard and the Insolents e tinha Dudu na bateria, Rodrigo Meister no baixo, Hiro na guitarra e Mauricio Gaudêncio nos vocais. A desgraceira reinava em ensaios no quarto de Rodrigo Meister.

Apesar disso, era possível identificar versões de Ramones, Vírus 27, Cock Sparrer e Misfits. A incompetência era grande. As músicas se transformavam em algo bem diferente do original. I Give a Hoot, do D.R.I., virou uma mini-música de poucos segundos. Suicide, dos ingleses do H.D.Q., acabou virando uma “música própria” do Die-Hard and the Insolents!

A melodia, o título e a letra eram do H.D.Q., mas toda a estrutura, ritmo e velocidade, tinham a assinatura dos limitados iniciantes curitibanos. Eles compuseram duas canções próprias. Gerson´s Law não deixava de ser interessante e flertava com a música Oi!. Na outra música, trocavam os instrumentos para dar o recado em um piscar de olhos. Dudu cantava um grind core ultra rápido que recebeu o nome de 15 Segundos.

Pinheads flyers evolu

Quando o grêmio estudantil, capitaneado por Meister e Daniel Azulay, promoveu o Primeiro Evolução (primeiro festival interno de música do Colégio Dom Bosco), o quarteto se inscreveu. Dudu, na última hora, resolveu mudar o nome do grupo para PINHEADS. Um nome mais fácil e uma homenagem à banda predileta deles, Ramones.

Em cima da hora, mudança de nome: PINHEADS

Em cima da hora, mudança de nome: PINHEADS

Dessa forma, na tarde do dia 15 de junho de 1991, o Pinheads debutou ao lado das bandas Relespública, Looney Tunes, No Remorse, Pós Guerra, Damned Still e Apenas o Tempo. No pacote: covers de suas bandas favoritas e uma bandeira do Reino Unido atrás do palco (a Union Jack vermelha, azul e branca, foi emprestada via Meister da recém fundada torcida Esquadrão Tricolor, do Paraná Clube).

No meio de vários covers de bandas americanas, a bandeira só fez sentido quando tocaram Englands Belongs To Me do Cock Sparrer.

Meister, Dudu, Gaudêncio e Hiro no colégio Dom Bosco, 1991

Meister, Dudu, Gaudêncio e Hiro no colégio Dom Bosco, 1991

Essa formação ainda faria uma apresentação na escola de inglês Liberty. Letras dos Misfits e dos Ramones foram xerocadas para que alunos de dez anos de idade pudessem acompanhar Maurício cantando pérolas como Angel Fuck e Now I Wanna Sniff Some Glue.

A festinha regada à refri acabou com uma jam session devido à inesperada visita da banda Relespública. Aqueles mods de 14 anos tocavam Ramones, Ira! e Sex Pistols bem melhor que os PINHEADS, alguns anos mais velhos.

Dudu, Gaudêncio, Hiro. Primeiro show dos Pinheads.

Dudu, Gaudêncio, Hiro. Primeiro show dos Pinheads.

Após presenciar um show dos Ramones em São Paulo, Hiro resolveu parar de tocar guitarra. Pois apertar a mão de Joey Ramone e ver a performance de palco de Johnny saciou toda fantasia musical do pequeno japonês.

Sabendo que o já estudante de arquitetura Júlio estava meio parado, Dudu resolveu chamar o amigo para tocar nos PINHEADS. Após alguns poucos ensaios, Maurício comprou uma bateria ainda mais tosca que a do Dudu.

Maurício Gaudêncio sabia que cantar, era o que ele poderia fazer de pior numa banda e sabiamente resolveu se dedicar aos tambores, pratos e pedais de bateria, recém adquiridos.

Dudu, Rodrigo e Júlio se divertiam fazendo covers, mas agora faltava um vocalista. Dudu pensou no ainda colega-de-classe-com-exatamente-o-mesmo-gosto-musical e já amigo Paulo. O convite de Dudu foi uma idéia acertada.

Paulo, que nunca tinha estado numa banda, seria o vocalista, pois além de dominar a língua inglesa, o polaco também conhecido como Ice Man, até que era afinado. Após alguns ensaios na casa do Rodrigo, participaram da segunda edição do Evolução, em outubro de 1991, novamente ao lado de Relespública, Looney Tunes, No Remorse. Contando ainda, com Dráculas Crápulas, Fears Vampire Killers e Mente Oculta.

Primeira apresentação de Paulo Kotze

Primeira apresentação de Paulo Kotze

No dia nove de novembro de 91, ainda como quarteto, eles fizeram um show no colégio Santa Maria (Festival Santo Rock). Dudu, Rodrigo, Paulo e Júlio despejaram músicas que amavam: Where are they now?, do Cock Sparrer; Astro Zombies e Hybrid Moments, dos Misfits; I Wanna Live, dos Ramones; e What can you do? e Sanity, do Bad Religion.

No final deste ano, Rodrigo repetiu de ano e foi proibido pelos pais de tocar rock por um tempo (anos depois formaria o No Milk Today). O dedicado vocalista Paulo resolveu aprender a tocar baixo. Em algumas semanas, dominou o básico do instrumento e assumiu as quatro cordas. Com isso, o PINHEADS se tornou um trio no mês de dezembro do ano de 1991.

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Arquivado em 1991

Stupid Brains – Julho de 1992

Algumas coisas foram se solidificando no primeiro semestre de 1992: seriam um trio, o nome ficaria PINHEADS mesmo e os ensaios seriam na casa do Dudu. Já tinham um extenso set list, cada vez mais bem ensaiado e equilibrado. Bad Religion e Ramones eram as bandas preferidas do trio no momento e delas vinham a maioria dos covers. Paulo aprendeu a tocar contra-baixo sozinho e conseguia cantar e tocar sem muitos problemas. O rapaz já era metade da banda e estava empolgado!!!

Pinheads BronxApresentações em casa de amigos, em festas da turma de arquitetura do Júlio e no DANC (Diretório Acadêmico de Medicina da UFPR, curso no qual Paulo era calouro) faziam com que o trio fosse se acostumando a tocar ao vivo e traziam alguns amigos freqüentadores nos shows. No dia 21 de março de 92, foram convidados para abrir um show para a Hallucination Band (Hoodoo Gurus Cover) no Bronx (no Largo da Ordem) executando apenas músicas dos Ramones.

O set list base era o álbum ao vivo Locolive com o adicional de algumas canções menos óbvias, como We Want The Airwaves, I´m Affected, Palisades Park e Outsider. Tocaram cerca de 33 músicas em 90 minutos, com poucos erros e muita energia. Muitos amigos na platéia. No pogo, destaque para o amigo Tibério, que ostentava um invejável rasgo nos joelhos de sua calça jeans. Público, banda e casa de show ficaram satisfeitos, mas era hora de começar a fazer música própria.

Primeiros meses

Primeiros meses

A vontade de compor as suas próprias músicas veio naturalmente. Afinal, três adolescentes na faixa dos 17 anos se levam meio a sério e têm a necessidade de escrever alguma coisa além de pichação com o nome da sua banda em muros do centro da cidade. Paulo deu o ponta-pé inicial e veio com letra e música pronta. A letra anti-políticos e o punk rock 3 acordes de Stupid Brains foi a primeira música dos PINHEADS.

“The world in which we live is similar to hell/ we can´t walk down the streets the risk is everywhere/ you could ask who is guilty of the situation we´re in/ the answer is still clear the minority we voted for

They don´t care about you! Uh, uh, uh! They don´t care about the truth! Uh, uh, uh! Only care about theirs minds! Uh, uh, uh! All they want is more!

Corruption, desperation, hunger, death and poverty/ People don´t do anything to change this situation/ They burn billions of trees to become a little richer/ The answer is still clear the minority we voted for”

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Arquivado em 1992

O punk rock básico e o espírito hardcore

Todos os sábados ensaiavam na churrasqueira da casa do Dudu. Sempre surgia uma composição nova. Geralmente com Paulo e Júlio fazendo música e Paulo fazendo também as letras. Nessa leva vieram The Basic Rock, I Need You Tonight, Plastic Women e Nervous Days.

As músicas eram muito parecidas: todas tinham oooh’s and aaah’s nos backing vocals, as estruturas eram quatro por quatro. E baseadas naquela velha fórmula: estrofe, refrão, estrofe, refrão, ponte, refrão. Quanto às letras, a reclamação era geral.

Plastic Women alfinetava a mulherada: “Nowadays there are no organic women anymore/ Most of them are made of plastic/ They have more than one face, they don´t play fair/ They´re not made of meat and bones anymore…”. Nervous Days lamentava a rotina e tinha paciência com algum metaleiro no bar predileto: “…on Saturdays I go out, let´s drink some beer in China´s Bar/ I hear some headbangers saying that the punk rock is dead, I didn´t wanna fight…”.

Letra e música por Júlio e Paulo

Letra e música por Júlio e Paulo

Eles gostavam tanto de música que escreviam letras sobre música. Principalmente sobre como a espontaneidade e a simplicidade podiam lhes emocionar. As assobiáveis The Basic Rock e The Music´s ok tinham uma ingenuidade até meio irritante, mas cativavam pelo óbvio.

Letra inspirada na frase "the music´s ok when there´s more ideas than solos" de Jello Biafra

Letra inspirada na frase "the music´s ok when there´s more ideas than solos" de Jello Biafra

Dudu começava a rabiscar alguma coisa (já tinha escrito o refrão de Music´s ok de frase extraída de Chickenshit Conformist, dos Dead Kennedys). Inspirado na música Clean-cut American Kid, do grupo de skate rock californiano Ill Repute, escreveu a letra de Many-Side-Lad. Paulo gostou tanto que nem deu a chance e “coragem” para Dudu alertar que Many-Side-Lad continha algumas frases chupadas da música Clean-cut American Kid. Dudu prometeu para si mesmo que não mais roubaria idéias de suas bandas favoritas em suas futuras letras.

Meses antes, mais precisamente no mês de maio daquele ano de 1992, Dudu (juntamente com seu amigo Renato Robert) presenciou Jello Biafra em ação, no Aeroanta, de São Paulo. O vocalista dos Dead Kennedys esteve presente na festa de lançamento do livro Barulho (de André Barcinski), e deu uma canja ao lado dos caras do Sepultura e do Ratos de Porão. Dudu ficou impressionado!

Jello tinha uma presença de palco hipnotizante. Se jogava na platéia, discursava contra a ECO-92 e mandava balas como Holiday in Camboja, Drug Me e Bad (do Nomeansno). Dudu estava satisfeito com as sete primeiras composições dos PINHEADS, mas ficava meio perturbado e entediado, pois as músicas eram muito parecidas, tanto no ritmo, quanto nas estruturas. O baterista queria tocar hardcore também!

As próximas músicas dos PINHEADS teriam que ser mais rápidas. Júlio e, principalmente, Paulo, presentearam Dudu com três novas canções, que tinham partes rápidas: California, Death Is Not The End e Psycho Zone. O nunca 100% satisfeito baterista criticou Paulo pela letra de California; mas como tinha gostado bastante das novas músicas, deixou que ficasse por isso mesmo.

Na história dos PINHEADS, Dudu e, especialmente, Júlio, ajudaram bastante nas composições. Mas mesmo que Dudu escrevesse uma letra impecável, ou que Júlio compusesse uma música perfeita, Paulo estaria presente nos créditos. Paulo era, no mínimo, metade da banda. Era ele quem colocava harmonia nos vocais e, se fosse necessário, alterava um pouco a letra ou a música. Além disso, Paulo tinha créditos sobrando, afinal, era o principal compositor e o mais talentoso dos PINHEADS.

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Arquivado em 1992

Primeira demo

Pequenas divergências apareciam, mas a amizade e a espontaneidade falavam mais alto. Era hora de registrar aquelas faixas e pela primeira vez entraram em um estúdio de ensaios. O estúdio era tosco, os “tocadores” totalmente inexperientes e ansiosos, alguns instrumentos eram emprestados, o tempo e a grana eram curtos.

Gravaram tudo ao vivo e em três horas. O saldo da gravação deste ensaio foi positivo e as conclusões nem tanto: as músicas mereciam um melhor acabamento. Dudu não era criativo no pé direito e errava diversas vezes no tempo e no ritmo. Paulo podia melhorar nos vocais, e Júlio devia se esmeirar mais nos solos e nos backing vocals.

O registro acabou sendo a primeira demo-tape e se auto-intitulava PINHEADS. Dez músicas próprias foram gravadas: Plastic Women, California, Stupid Brains, Nervous Days, The Basic Rock, I Need You Tonight, Death Is Not The End, The Music´s Ok, Psycho Zone e Many-Side-Lad.

Para aproveitar o tempo de sobra de estúdio, gravaram ainda dois covers: Bloodstains (do Agent Orange) e Havana Affair (dos Ramones). A capa preta e branca cheia de recortes (elaborada por Júlio e Paulo) trazia o nome das músicas, a formação (Paulo “Dada”: Bass/Vocals, Júlio “Fluidman”: Guitars/Oozin, Dude: Drums/Hardcore Spirit), e os agradecimentos (China’s Bar, Maurício Gaudêncio, Tibério, Cuca da Rádio Recreio, Tio Zeca, Daniel & Wart Hog, Alceste, Piupa, Renato, Trajano & Barbapapas, Hiro Boy, Gil, Fabiano, Juliano & Silly Bones, Joás e Joel Caverna). Agradecimentos também ao Rodrigo Meister, ao Serginho e ao Renato Punk por terem feito claps em Many-Side-Lad. Ainda agradeceram (!!?!!): Ramones, Bad Religion, Agent Orange, Buzzcocks, Cock Sparrer, T.S.O.L., Dead Kennedys e o 60’s Rock’n’Roll.

Capa da primeira demo "Pinheads"

Capa da primeira demo: "Pinheads"

Cada pinhead distribuiu a demo para o seu grupo de amigos. Depois de cinco meses, este era o registro inaugural: mal gravado, tosco, caseiro, com muitos erros… mas era o que de melhor eles poderiam fazer naquele momento.

Com a demo-tape, conseguiram espaço para tocar no Curitiba Rock Festival, evento que ocorria paralelamente ao primeiro BIG (Festival de Bandas Independentes de Garagem). No bar Hangar, tocaram as dez músicas próprias da demo mais o cover do Agent Orange e Censorshit dos Ramones.

No caderno de cultura da Gazeta do Povo, o colunista Abonico Rycardo Smith escreveu: “PINHEADS: Foi a banda que mais agitou a moçada no primeiro dia. Porradas certeiras para a felicidade da nação do pogo. Embora se pareça muito com as influências Ramones e Bad Religion – e os próprios componentes não fazem questão de esconder isso – os cabeças-de-prego têm muito futuro no underground”.

Pinheads Artigo 111

No final de 92, dois shows em ambiente universitário. O primeiro foi no Musicato: um festival de bandas organizado pelo pessoal da Engenharia Civil da UFPR. Num final de tarde ensolarado, os PINHEADS tocaram um monte de Ramones e umas músicas próprias.

Outro show interessante foi no nono andar da PUC ao lado dos Barbapapas, banda dos amigos Trajano e Jack. Os alunos da universidade (incluindo aí um militante Júlio Linhares), ocuparam um andar inteiro do prédio principal e lá acamparam. Num clima de companheirismo e manifestação política, o trio tocou apenas músicas próprias, enquanto que os Barbapapas empolgaram mais a galera executando covers de Ramones, Danzig e Sex Pistols.

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Arquivado em 1992

For Fun – 7 polegadas – 1993

Mil novecentos e noventa e três não foi um ano ruim. Não mesmo! Ruim era a qualidade de gravação de uma fita cassete com um ensaio com algumas músicas dessa primeira fase dos PINHEADS. Fita essa que caiu nas mãos de JR. Ferreira. Júlio freqüentava o 92 Degrees (bar de propriedade de JR.) e entregou a gravação para o dono do local. Ele gostou de California e comentou sobre o projeto que tinha para gravar compactos 7 polegadas com bandas locais.

Enquanto Júlio analisava a proposta do produtor, Dudu estava na praia curtindo sua “careca máquina dois” após ser aprovado no vestibular de Odontologia. Paulo foi visitar seu amigo baterista que não queria voltar da praia para ensaiar. Na praia, Dudu mostrou para Paulo “novos sons” que o amigo Mendes (inspirador da letra de California) tinha lhe gravado.

A fita cassete tinha o álbum auto-intitulado do Pennywise num lado, e metade do NOFX Ribbed no outro. Dudu sabia que os seus companheiros de banda também iriam ficar impressionados com essas duas novidades. E foi o que aconteceu! Aquela fita foi o tempero final para ferver o caldeirão de influências do trio! Paulo voltou para Curitiba com a fita Pennywise/NOFX e com duas letras que Dudu tinha composto na praia: Plutoflipper’s Land e Won´t Change For Good.

Quando Dudu voltou para Curitiba, Paulo e um inspirado Júlio já tinham idéias de músicas novas e queriam insistentemente participar do ambicioso projeto do JR. Com alguns ensaios, se constatou que as novas músicas eram muito boas: diretas, objetivas e bem acabadas. Com pequenas alterações, as letras de Dudu se encaixaram perfeitamente. Paulo ainda escreveu na íntegra Digital Thoughts.

O custo era honesto e assim aceitaram o desafio: gravariam um compacto em vinil! A expectativa era grande, afinal, entrariam num estúdio de gravação pela primeira vez. A desconfiança em relação ao projeto não era pequena, assim como a insegurança e a inexperiência. Era hora de ensaiar exaustivamente as músicas selecionadas. As três músicas novas, ultra-rápidas, foram escolhidas, assim como as mais velozes da primeira demo.

PINHEADS foi uma das últimas bandas do projeto à entrar no estúdio. Os produtores já sabiam o que podiam extrair daquelas bandas novatas e também sabiam de suas inúmeras limitações. A noite de gravação no estúdio Solo, sob a batuta de Victor França e produção de JR. Ferreira, se deu sem maiores problemas.

A banda estava afiada e sabia o que queria. As músicas da demo (Psycho Zone, Death Is Not The End e California) apareceram mais aceleradas. Won’t Change For Good, Digital Thoughts e Plutoflipper’s Land vislumbravam a futura sonoridade do trio. Todas as faixas receberam backing vocals de Paulo e Oohs and Aahs de Júlio e Paulo. JR. também participou fazendo La-La-Las em Won’t Change For Good.

"Mini release" com a capa do compacto e um breve texto

"Mini release" com a capa do compacto e um breve texto

Júlio ficaria responsável pelo conceito gráfico e a arte deveria ser entregue logo. Em poucos dias, o guitarrista chegou com tudo pronto: desenhos, recortes, título etc. Dudu e Paulo gostaram do trabalho, mesmo sendo muito parecido com a capa do álbum No Control, do Bad Religion.

Mas Dude lembrou de outros álbuns que adorava e que também tinham capas semelhantes à idéia de Júlio: Angelic Upstarts, No Reason Why?; D.O.A., The Dawning of a New Error; e Fugazi, Repeater. Assim, ficou tudo como Júlio tinha elaborado. Na contra capa, o nome da banda, o nome das músicas, o selo Bloody/92 Degrees e desenhos com a formação (Drums: Eduardo Munhoz; Guitarre: Julio Linhares; Bass/Vocals: Paulo Kotze).

Contra capa. Arte por Júlio

Contra capa. Arte por Júlio

Dudu e Paulo trataram de elaborar algo para ser encartado ao compacto. Fizeram mil cópias xerocadas em papel preto e branco com as letras, quinhentos “mini-releases” e uns duzentos adesivos caseiros feitos com papel contact.

As seis letras no encarte caseiro do compacto

As seis letras no encarte caseiro do compacto

O release trazia telefone, endereço e um breve texto: “Júlio (guitarra, back vocals), Dude (bateria) e Paulo (baixo e vocal) formam os PINHEADS. Com um público fiel e heterogêneo, a banda possui mais de vinte músicas, influenciadas pelo Punk Rock (Ramones, Buzzcocks) e principalmente pelo Hardcore americano (Bad Religion, NOFX, Circle Jerks, Agent Orange). Com as seis primeiras músicas do seu primeiro compacto (Pinheads For Fun), gravado pelo selo “Bloody”, os PINHEADS apresentam um som único, original; um hardcore melódico, irreverente, FOR FUN”.

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Arquivado em 1993